sábado, setembro 02, 2006

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA? TÔ FORA!

Aprendemos, eu e toda pessoa normal, que quando a esmola é grande o cego desconfia. E este é um ensinamento que vem de nossos bisavós. Bem a propósito, tive alguns desentendimentos por causa disto. O mais emblemático é com os ecologistas. Que o digam os amigos Judson Barros e Alcide Filho. Se bem que os dois têm menos interesse que a grande maioria. Ecologistas estão sempre fazendo discursos apaixonados em favor da natureza. Existem centenas de ONGs bem abastecidas de grana para defenderem os animais e as plantas. A mais notória organização é o Greenpeace Internacional, que tem ramificações no Brasil. Não dou um vintém por nenhuma. Sou a favor da vida humana. Da vida inteligente, produtiva. Para preserva-la e alimentá-la não ligo se vão morrer centenas de baleias, bois, cabritos, macacos, onças, guaribas e bichos-preguiça. Tampouco me incomoda a devastação de matas para plantar grãos ou criar gado. Ecologistas e ONGs espalham pelo mundo, jurando que é verdade, que o planeta Terra está ameaçado de ficar sem água potável. Que a solução é preservar a Amazônia, pulmão do mundo, que a floresta deve ser um bem da humanidade, deve ser internacionalizada. Até a ONU entrou no discurso. Sou um analfabeto em ecologia, em ecossistemas e outros neologismos criados para colocar na moda os interesses de uns poucos. Mas bobo, não! Ninguém vai me convencer que um planeta feito de água, com calotas polares gigantescas, com oceanos ainda inexplorados, deve se preocupar com essa bobagem. Para o argumento de que ninguém bebe água salgada do mar, dou o testemunho da inteligência humana para criar tecnologia capaz de dessalinizar todos os oceanos. Tecnologia, aliás, já obsoleta. E estou expondo esta posição anti-ecológica antiga porque li hoje uma entrevista que o site www.oquintopoder.com.br divulgou com o pensamento de Gelio Fregapani sobre a preservação da Amazônia. E Fregapani não é qualquer jornalistazinho metido a besta, como eu, que sai colando opinião sobre o que gosta e o de que não gosta, mesmo quando não entende do assunto. Gelio Fregapani (apresentação colada do site) “...é o maior conhecedor da Amazônia. Gaúcho, é o mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva. Para atingir a capacidade de iniciativa de tal magnitude já esteve em praticamente todos os locais habitados e muitos dos desabitados da Amazônia, inclusive a selva, aquela que poucos conhecem e que nem uma hecatombe nuclear destruiria. Fala também mais de uma língua indígena Fregapani já conduziu geólogos a lugares ínvios, chefiou expedições militares e coordenou expedições científicas às serras do extremo norte e onde dormem as maiores jazidas minerais da Terra. Desenvolveu também métodos profiláticos para evitar doenças tropicais, tendo saneado as minas do Pitinga e a região da hidrelétrica de Cachoeira Porteira. Coronel do Exército, serviu à força durante quatro décadas, quase sempre ligado à Amazônia, tendo fundado e comandado o Centro de Instrução de Guerra na Selva. Há mais de três décadas, vem observando a atuação estrangeira na Amazônia, o que o levou a escrever Amazônia - A grande cobiça internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas), apenas um título de sua bibliografia. Ele está convencido de que a grita dos ambientalistas serve a interesses americanos e de que a ferrugem da soja foi introduzida no Brasil por concorrentes da grande nação do norte. Para Fregapani, a vocação da Amazônia, além da produção de metais, é a silvicultura. “Se nós plantarmos 7 milhões de hectares de dendê na Amazônia, extrairemos 8 milhões de barris de biodiesel por dia, o que equivale à produção atual de petróleo da Arábia Saudita.

Muito bem. Quem quiser continuar sendo ecologista de carteirinha pode abandonar o assunto. Mas se quiser pelo menos ter uma noção de como questionar as grandes esmolas que esse pessoal quer dar à humanidade, com sua luta, aconselho o site www.oquintopoder.com.br para ler a íntegra da entrevista do Fregapani. Após o acesso clica na coluna Soberania Nacional. E nem precisa acreditar em tudo que o Fregapani diz.

quarta-feira, agosto 30, 2006

MORRE UM CRAQUE DA NARRATIVA

Vi hoje, com tristeza, a notícia da morte do escritor egípcio Nagib Mahfuz. O conheci em 1988, com as notícias de que era o escolhido para receber o Prêmio Nobel de Literatura. O fato ganhou mais de uma semana de mídia, porque Mahfuz foi o primeiro escritor de língua árabe a conquistar o Nobel. E ainda é o único. Corri para as livrarias imediatamente com o nome dele para garimpar alguma obra, antes que a fama o tornasse inacessível. Encontrei “As codornas e o outono”, escrito, se não de engano, nos anos setenta. Achava que iria encontrar uma narrativa rebuscada, chata. Mas apostava também na sabedoria árabe em contar histórias. Tinha em mente o fascínio com que se lê e se entende “As Mil e Uma Noites” , um clássico da literatura árabe. Quem não ouviu falar de Ali Babá e os Quarenta Ladrões, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, O Príncipe do Oriente, Omar e Yasmin, A História de Mobarak? Em Mahfuz tem-se a certeza que a arte de contar histórias nasceu mesmo no oriente e os árabes a perpetuaram. O melhor do Ocidente, Homero, diante dele, é ficha grande. Mas precisaria de um grande pouco mais para chegar perto. Exageros à parte! O romance “As codornas de outono” mistura ficção e realidade. É envolvente. É uma história simples de um cidadão que sonhava ocupar um cargo público de influência mas, diante da Revolução Nacionalista Egípcia, ele faz as escolhas políticas erradas. Tem a vida transformada num inferno e se obriga fugir do país. O Romance começa exatamente com o incêndio do Cairo, que prenuncia a revolução. E é mais apaixonante porque se nota ser a obra uma metáfora perfeita da sociedade egípcia, onde o ideal do cidadão é ser funcionário público. Além de tudo isto se passeia pelo Cairo. E o Egito torna-se íntimo do leitor. Nagib Mahfuz tem outras obras traduzidas para o Português. Provavelmente entrarão na lista das mais vendidas, agora com a sua morte. Lembro de dois títulos que ainda não li: "Miramar" e "A Batalha de Tebas". Mahfuz é festejado em todo o Ocidente mas as suas obras foram boicotadas em paises árabes porque ele, embora declarasse total solidariedade aos palestinos, foi um dos poucos intelectuais árabes a dar apoio aos acordos de paz entre Egito e Israel, em 1979. Em 1994 sofreu um atentado. Um fundamentalista islâmico o esfaqueou no pescoço depois que líderes extremistas o acusaram publicamente de estar contra a religião. Teve graves sequelas, como a paralisia de um braço. Morreu hoje, segundo as notícias, de parada cardíaca depois de uma longa internação hospitalar. Tinha 95 anos de idade.
A última lembrança que guardo de Mahfuz foi a notícia de um encontro que teve com o brasileiro Paulo Coelho.
(postado sem revisão)

segunda-feira, agosto 28, 2006

A INTELECTUALIDADE ESTÁ EM FÉRIAS

O debate de idéias, no Brasil, depois que o Partido dos Trabalhadores conquistou o poder, está sem graça. Grande parte da intelectualidade de esquerda perdeu fôlego e abraçou o neoliberalismo. Até o espaço de opinião na grande mídia escasseou. Nem a campanha eleitoral agora tem mais preocupação com os temas ideológicos. A ordem do dia dos programas eleitorais, decidida unicamente por marqueteiros de ocasião, é emplacar a idéia de que cada um dos candidatos é mais bonzinho, tem mais condições de ajudar aos pobres, estará mais voltado para programas sociais. E o pior: a mídia vai a reboque. Teme elevar o debate porque acha que vai perder espaço entre os formadores de opinião. Quem vai acreditar em jornalista daqui a dez anos, se permanecer este quadro? E esta é uma tendência mundial, fruto da globalização. O enfraquecimento do socialismo tem grande influência no comportamento da mídia hoje. Não se vê mais um debate acirrado, gerado pelos intelectuais de direita, de esquerda, de centro ou de ideologias menores. Das três grandes forças que disciplinam o mundo: armas, dinheiro e a palavra, uma só, o dinheiro, está dominando. O capitalismo não tem mais freios. Não tem adversário. Não precisa mais provar que é um modelo sólido de economia. Domina a grande mídia. Amordaça e sufoca a pequena. O debate de idéias e a exposição do pensamento migraram unicamente para os livros, com tiragens pequenas e preços inacessíveis. Sem contar a desleal concorrência de programas de TV de gosto duvidoso e uma internet abarrotada de lixo que dá mais fragilidade ao conhecimento.
No Brasil a situação é tanto mais caótica porque nem a Universidade está fortalecida. O que se discute hoje nos melhores centros acadêmicos é quando será a próxima paralisação para repor as perdas salariais. A discussão de melhoria da qualidade do ensino está atrelada a itens negociáveis na hora do confronto. O pão de cada dia hoje tornou-se mais importante que o futuro.

quarta-feira, agosto 23, 2006

UM DESABAFO PARA AMIGOS

Há bons amigos e amigos. Recebi hoje um estimulante e-mail da amiga Mercedes Nogueira, companheira e camarada da época de desbunde, da juventude talhada na luta para salvar o Brasil. É verdade que ninguém sabia que salvação era esta, mas todos tinham consciência de que sem democracia não se podia viver. Mercedes diz que estou amargo, tendo opiniões contraditórias, falando o que provavelmente não faço. Diz que estou parecendo o Diogo Mainardi, que escreve apenas para causar polêmica. Não é a primeira vez que me comparam a Mainardi. Isto me incomoda, sim! Gosto muito da coluna do Mainardi na Veja. Leio-a vez ou outra quando a revista traz um assunto bom e eu a compro. Invejo o seu jeito de escrever fácil. Mas não o li o suficiente para ser contaminado. Sei com certeza que fui contaminado por José Carlos Oliveira, por Nelson Rodrigues e Paulo Francis, por Armando Nogueira e Carlos Lacerda. Sou do tempo em que os livros e os bons autores não tinham a concorrência da TV. Tampouco havia o interesse editorial pela auto-ajuda, a despeito de Deus Negro, de Neimar de Barros. Paulo Coelho não teria chance. Talvez por isto seja um fenômeno hoje, porque teve oportunidade de ler muito. Mídia para os jovens no final dos anos 60 e anos 70 era, além dos livros, a música, o cinema e os jornais, principalmente os recheados Cadernos de Cultura. Lia-se tanto mais quanto se vê TV hoje em dia. Eu particularmente colecionava o Caderno B do Jornal do Brasil, onde conheci José Carlos Oliveira, o meu cronista preferido. Aos 17 anos grande parte da minha geração já havia lido Ulisses de James Joyce; O Capital de Marx; Revolução na revolução de Regis Debray; Eros e Civilização de Herbert Marcuse e A Obra Aberta de Umberto Eco. Mas sabíamos também da existência de Lukacs, Gramsci, Herman Hesse e mais e mais, todos muito festejados no Brasil pelos editores e consumidos vorazmente pelos estudantes. Não sobrava tempo para as crises existenciais da adolescência. Os nossos Clubes de Jovens não se reuniam para rezar, participar de joguinhos e discutir a bondade de Deus, como hoje. Os encontros normalmente serviam para discutir os grandes pensadores. A moda eram os de esquerda. Fui presidente do Clube de Jovens do meu bairro e a primeira medida, aprovada em Assembléia Geral, foi assinar a Revista Civilização Brasileira. Através desta publicação, além de outros, tivemos acesso aos textos e ao pensamento dos brasileiros Nelson Werneck Sodré, Alceu Amoroso Lima, Leandro Konder, Paulo Francis, Ferreira Gullar, Carlos Nelson Coutinho e Fernando Henrique Cardoso. Sim, FHC o ex-presidente. A música também era pauta obrigatória das discussões. Ou melhor, a letra das músicas. Imagine-se a produção daquela época, na efervescência do Tropicalismo. Apenas para constar cito Gil, Caetano, Chico Buarque, Capinam, Torquato Neto, Geraldo Vandré... E depois desse arroubo, das boas lembranças, volto à amiga Mercedes e ao excelente Mainardi. O colunista da Veja provavelmente também caminhou nesta trilha, além de muito mais estrada que eu, com absoluta certeza. Mercedes está casada e tem dois filhos. Um médico e um jornalista. É socióloga e aposentada como professora da Universidade Federal do Ceará. Ela sabe que escrever e pensar são coisas diferentes, embora uma dependa da outra. Ser contraditório é uma necessidade.. Não tenho medo de ser contraditório, de cair em contradição. O que me apavora é a possibilidade de deixar de pensar. Perder a vontade de mudar de idéia. No mais, tudo não passa de um constante exercício de argumentação.

segunda-feira, agosto 21, 2006

OS PROTESTOS DOS EX-POBRES

Espetaculares. Estimulantes. Bravas as reações de alguns leitores deste blog com a afirmação de que “alegria de pobre é aperto de mão”. Além dos comentários postados recebi vinte e seis e-mails. Todos a princípio concordam com algumas afirmações mas no geral qualificam-me de insensato, burguês, asno, preconceituoso. Acusam-me de ter sentimentos infame, vil, ordinário e inescrupuloso. Afirmam que as minhas colocações são comuns a pessoas que nunca passaram fome na vida, que não sabem o que é pobreza, que fizeram questão de esquecer as dificuldades que algum dia tiveram. Eu concordo plenamente. Dizem os leitores que têm origem pobre. Está na moda ter origem pobre. Dois leitores mandaram eu mirar o presidente Lula como o melhor exemplo. Vou tentar.
Os ex-pobres que conheço esqueceram o passado. Negam. O presidente, não! Lula decanta a origem humilde, de fome, de miséria, apesar de ter declarado à Justiça Eleitoral que tem um patrimônio de cerca de oitocentos mil reais. Para uma pessoa que passou grande parte da vida sem trabalhar, só fazendo política, é um número espantoso. Exemplarmente invejável. Senão vejamos: Oitocentos mil reais divididos por sessenta, que é a idade do presidente, dá mais de treze mil e trezentos reais por ano. Treze mil por ano, para a Receita Federal, é salário de rico, classe média alta. Deve ser mesmo. Nestas contas do patrimônio de Lula está se levando em conta que ele passou a ganhar treze mil por ano a partir do primeiro ano de vida, que nunca gastou um tostão com mais nada a não ser com o investimento no atual patrimônio. Nem imposto pagou. De fato, o presidente é um pobre que deu certo. Está entre os ricos. E o melhor: não tem que explicar nada, não tem que ensinar como amealhar um bom patrimônio sem trabalhar. E com o poder que tem não precisa esquecer que foi pobre. A lembrança deve ser o combustível que o faz pegar parte do salário dos outros ricos e distribuir com os pobres.

quinta-feira, agosto 17, 2006

ALEGRIA DE POBRE É APERTO DE MÃO

Em menos de uma semana de campanha eleitoral na TV já se pode afirmar com segurança que o tema preferido de todos os candidatos é o pobre. Não há político que não goste de pobre. Agora, então, está um exagero! Tem defensor de pobre de todos os naipes. Político gosta tanto de pobre que nunca faz absolutamente nada para tirá-lo da condição de pobreza.
Aliás acho que sou a única pessoa no mundo que não gosta de pobre. Ou no mínimo a única pessoa que tem coragem de assumir esta sensatez publicamente. A pobreza em uma sociedade é como câncer: é difícil curar e ainda contamina as células sadias.
Não é soberba. Simplesmente não sei conviver com hipocrisia. A pobreza me incomoda porque me sinto impotente diante dela. A única coisa que a pobreza prodruz é mais pobre, além de voto fácil para político corrupto. Não há como eliminá-la do lugar onde se instalou. Normalmente o pobre é indolente. Tem como princípio básico a certeza de que é direito líquido e certo receber ajuda de mãos generosas.
Defendo a tese de que se um governante corajoso pegasse toda a riqueza de um Estado, assim por decreto, e a distribuisse igualmente entre os pobres, não demoraria um ano todos estariam de novo na mais completa miséria. O Brasil está cheio de exemplos de fortunas conseguidas na Loteria cujos ganhadores jogaram tudo fora em menos de cinco anos. Passaram de milionários a remediados e daí a grandes devedores de bancos, vizinhos e bodegas.
Um defeito grave de pobre é gostar muito de político. Enche a boca de "meu deputado", "meu senador", "meu governador" e "meu candidato". Adora um cartaz de político na parede, na frente da casa. Briga por um adesivo, um chapeu e uma camiseta do candidato. E pobre mesmo que se preza não aceita emprego. Prefere a sinecura, a prebenda que pode receber sem trabalhar, mesmo que tenha de repartir setenta por cento do ganho com o político corrupto. Não é interessante ter salário integral. Assim perderia a condição de pobre.
Na história recente do Brasil, depois de Getúlio Vargas, que foi o "Pai dos Pobres", só mesmo Lula compreendeu a alma paupérrima. Criou o "salário pobreza" e deixou todo mundo feliz. Ninguém precisa fazer nada. Só provar que é pobre, que tem filho, que o filho está matriculado em uma escola de pobre. Provando recebe um cartão para garantir o azeite do feijão, o gás de cozinha, mesmo que não tenha fogão, e a pinga do domingo.
E o pior é imaginar que o Governo, formado por políticos que adoram pobres, considera qualquer um que ganhe dez mil reais por ano um ricaço. Eu disse DEZ MIL POR ANO. Sou milionário! Ganho um pouco mais de dez mil por ano. E porque não gosto de pobre o Estado pilha compulsoriamente de meu salário cerca de trinta por cento.
O imposto que pago, desconfio, vai garantir a alegria do pobre. Por isto não tenho segurança, não tenho escola para meus filhos e netos, não tenho atendimento de saúde, não tenho estradas... Não tenho nada, enfim. O pobre também não tem. E sequer pode comprar em casas especializadas, como eu.
Em compensação tem alegria. Tem um coração generoso para agradecer o prêmio do "bolsa-miséria". Contenta-se com uma ninharia. Confia nos políticos e orgulha-se quando recebe um aperto de mão.
Pensando bem é melhor mudar meus conceitos. Pobre sabe ser feliz.

sábado, agosto 12, 2006

A INFLUÊNCIA DO ÍNDIO QUE NÃO SABIA CONTAR

Não sei bem onde vi, mas é certo que um desses antropólogos estudiosos afirmou e provou que os índios brasileiros, lá na época do descobrimento, só sabiam contar até dois. E como fazia o índio pescador para dizer, por exemplo, que pegou dez peixes? Eu respondo: simplesmente ele não pescava dez peixes. O índio era ecologicamente correto. Só matava o que podia consumir. Bobagem, diria o antropólogo. O índio pescador pescava dez peixes, sim. Na hora de contar vantagem ele dizia "só com uma flechada espetei dois e dois e dois e dois e dois peixes". Bom mas não era de história de pescador que queria me ocupar hoje, principalmente de pescador que não sabe contar além de um par de vantagens. Se bem que, como arremedo de sociólogo que tentei ser, posso apontar a influência nefasta desta dificuldade dos nossos índios no Brasil de hoje. Os políticos por exemplo, na grande maioria, têm uma enorme dificuldade de pestar contas da riqueza amealhada em pouco tempo. Não sabem contar. Talvez por isto percam a noção da roubalheira. As instituições de pesquisa do Governo também têm a influência do índio. Medem, pesquisam, checam os números e na hora da divulgação aparecem as aberrações: a inflação não evolui embora o trabalhador sinta a diminuição do poder de compra e o aumento da dívida na bodega da esquina. Sem falar em outras dificuldades administrativas. Os impostos novos criados nunca são suficientes para cobrir as dívidas oficiais. Veja-se o problema da Previdência. Enfim, o que eu queria dizer mesmo é que sou ainda um índio primitivo. Não consigo entender nem fechar as contas nos discursos que ouço nesta campanha eleitoral. O Brasil que até ontem não tinha dinheiro para nada, para nenhum investimento, hoje aparece, nas promessas políticas, com capacidade para gerar milhões de empregos, para investir na indústria, na saúde, na segurança e no que mais aparecer. Desconfio que todos os candidatos têm origem européia. Lula não conta. Ele é analfabeto confesso e orgulha-se de não ter recuperado o tempo perdido estudando quando não tinha nada para fazer. (postado sem revisão)

sexta-feira, agosto 11, 2006

DESCULPA ESFARRAPADA MAS EXPLICA

Juro que não é preguiça, nem falta de interesse. A ausência de novas postagens ou atualização deste Blog deve-se a um problema técnico. Aliás dois problemas. Além do técnico estou com tempo curto para fazer o que mais gosto: escrever abobrinhas em cima de fatos sérios. Em três oportunidades fiz longos textos, revisei e na hora de autorizar a postagem a máquina travou. Reiniciei, repeti o texto e novamente a bruxa deu a volta por cima. Desestimulante isto. Segundo os entendidos o Blog já está pesado, com muitos arquivos. Vou tentar corrigir. A falta de tempo deve-se ao processo eleitoral. Não sou candidato, claro. Mas cuidar da cobertura jornalística de uma eleição, tendo que estudar cada uma das inúmeras leis, para não escorregar, é tarefa que exige dedicação. E por falar erm eleição, para você não pensar que deixei de dizer alguma coisa interessante, repasso o questionamento do genial Millôr: "Você vai votar no candidato corrupto ou no que ainda não é?" (Agora é torcer para que a postagem dê certo...)

segunda-feira, julho 03, 2006

EU SOU UMA MÃE DINÁ

A Cris, amiga e leitora súdita, lembrou ontem a previsão que fiz aqui no blog em uma postagem do dia 11 de maio de 2006, uma quinta-feira. Quinta é o meu dia da semana, segundo meu horóscopo. Estou mais sensível e sensitivo. Naquele dia acordei com a malfadada visão e escrevi: “A SELEÇÃO BRASILEIRA VAI DECEPCIONAR NO MUNDIAL”. Sou, assim, uma espécie de Mãe Diná.
Mentira! Nada de visão. Nem de sonho. O título da postagem era PREVISÕES OBVIAS. Além da Seleção Brasileira falei de outras coisas que deveriam acontecer. E de onde eu tirei esta verdade?
Do óbvio, naturalmente. Perreira e toda a imprensa falavam que a Seleção Brasileira era a melhor, que mesmo com pouco treinamento a qualidade individual dos convocados seria capaz de superar os adversários. Um oba-oba geral e irrestrito. Eu simplesmente não acreditei.
Como não acreditei que as outras seleções classificadas para a Copa do Mundo estariam lá para reverenciar a Amarelinha, para pedir autógrafos às nossas celebridades.
Afirmo e confirmo: futebol não é o meu esporte preferido, não entendo nada de tática futebolística. Sou torcedor vira-casaca. Meu time é o que ganha a rodada do final de semana. Mas daí a acreditar que um time pode ser formado apenas pela força do ego vai uma distância enorme. Um time precisa de humildade e treinamento. E de um bom treinador, que se preocupe muito mais com o adversário.
Não entendo de futebo, Mas sei como se fabrica uma celebridade. Eu disse ce-le-bri-da-de. Craque não se fabrica. Estrela do futebol pode se tentar. Mas se não houver talento dificilmente vai continuar brilhando.
A Seleção Brasileira para mim, portanto, estava formada, na sua maioria, por celebridades. Jogadores que um dia na vida fizeram alguma coisa espetacular, foram escolhidos por uma grande e poderosa marca, daí tiveram assessoria especializada, empresário bem relacionado, um marketing a favor e as melhores vagas em Clubes Top. Fácil assim como um estalar de dedos.
Qualquer um pode ser celebridade. Estrelas só mesmo jogadores do nível de Pelé, Zico, Garrincha, Tostão, Ademir da Guia, Falcão, Maradona e, com licença do nome, ZIDANE. Apenas para citar alguns que se perpetuaram. Brilharão sempre.
Quer uma prova?
Depois da eliminação, qual torcedor respeitou a espetacular habilidade circense de Ronaldinho Gaúcho? Quem respeitou a artilharia de Ronaldo no Penta? E a patente de capitão do Cafu, e Roberto Carlos, e Cacá et caterva?
Poucos e generosos torcedores ficaram calados, sem opinião.
Celebridade serve pra isto também, para ser esquecida da noite para o dia. Celebridade não tem passado e só tem direito mesmo a holofotes enquanto for útil para provocar sonhos dos falsos bons exemplos.
Tudo bem, eu concordo que provavelmente são bons jogadores, que têm algum mérito. A questão que se discute, no entanto, é outra. É o tratamento de mídia que os tornou semi-deuses. E eles acreditaram nisto e se comportaram como tal.
Portanto era óbvio que não combinavam nada com a empáfia do Parreira, com a vaidade de quem nunca dá o braço a torcer. Sem falar que não treinaram nada, porque corriam o risco de se machucar. Um semi-deus machucado é prejuízo certo. Não para a equipe, que o substitui com tranqüilidade. Prejuízo para os patrocinadores.

quarta-feira, junho 28, 2006

FUTEBOL É COMO HORÓSCOPO

Volto antes do tempo. Prometi que só o faria após a Copa do Mundo. Mas volto para falar de futebol, coisa de que não entendo. Tampouco sou muito fã. Fui incentivado pelo blog do Marona. Ele largou tudo para analisar os jogos da Copa do Mundo.
Largou tudo?
E tem alguma outra coisa acontecendo?
Analisar futebol?
Melhor dizendo, o Marona está esmerando a opinião dele. Como achei interessantes algumas colocações resolvi tascar aqui também as minhas opiniões. Se bem que o Marona é gremista roxo e diz que entende e adora futebol. Eu, nem tanto.
Por exemplo, sou torcedor roxo do time que ganha. E quando quero saber qual time vai ganhar leio o meu horóscopo ou telefono para a Mãe Diná. Nunca erro. Nada melhor que confiar no imponderável para entender o que não tem lógica.
Se houvesse lógica no futebol talvez eu gostasse. Mas também não teria graça nenhuma. Já pensou o torcedor abrindo os jornais de manhã, ou a internet, ou a TV e, de posse das estatísticas e das análises, já tivesse a garantia do resultado? Ninguém ia aos estádios. A Copa do Mundo, então, não daria nenhuma chance ao lobby de escalar esse ou aquele Ronaldinho.
Dei-me ao trabalho de ler e ouvir ultimamente muitos comentários de “especialistas em futebol”. Ninguém concorda com o Parreira, salvo alguns de última hora depois dos bons resultados. Todos tiveram o cuidado de colocar na Seleção os seus jogadores preferidos. Mas esqueceram de tirar os do Parreira.
Se o Parreira pudesse fazer assim também, colocar o time com quinze jogadores em campo, acho que nunca ia haver discussão.
Mas a melhor opinião que ouvi mesmo foi a da Mãe Diná na Rádio Globo AM, sendo entrevistada em um programa de variedades, na terça-feira de manhã, antes do jogo Brasil X Gana. Vou tentar reproduzir o diálogo: - E aí, mãe Diná, o que que a senhora pode dizer do jogo de hoje para tranqüilizar a galera? - Meu filho você lembra que eu disse que o Ronaldo ia melhorar. Você viu como ele já fez um gol? - Sim Mãe Diná, mas ele vai fazer gol hoje? - Olhe, se ele melhorar mais, vai fazer sim. Mas pode não fazer, se estiver ligando para o que falam dele. - Mas a senhora acha que a Seleção vai em frente, ganha hoje? - Olhe, tem tudo para ganhar, se jogar do jeito que jogou contra o Japão. Mas tem que tomar cuidado com o pessoal de Gana, que corre muito, tem muita velocidade. Se não tomar cuidado, meu filho, pode perder o jogo.
Sou fã da Mãe Diná. Ela, sim, entende de futebol. E eu me identifico com ela. Porque mesmo sem entender muito, juro que pensava do mesmo jeito antes do jogo contra Gana. E vejam que ela acertou tudo: o Ronaldo num ta nem aí para os que falam dele. Melhorou e fez dois. O Brasil não jogou como no jogo contra o Japão mas tomou cuidado com a velocidade dos africanos. Não deu outra. Deu Brasil.
E, voltando ao Marona, posso garantir que ele entende menos de futebol que a mãe Diná. É só conferir no blogdomarona.blogspot.com

quarta-feira, junho 07, 2006

A BADERNA COMO ALERTA

Finalmente uma coisa interessante para ocupar o noticiário dos telejornais, além das bolhas no pé do jogador Ronaldo. E não se trata da bunda do Ronaldinho Gaúcho, que saiu ferida do treinamento de hoje pela manhã.
Fala-se aqui da invasão do prédio da Câmara dos Deputados. Uma beleza de vandalismo. Uma atitude das massas. Coisa bem planejada, arquitetada com inteligência, para ganhar espaço na mídia e jogar ao segundo plano o patriotismo despertado pela Copa do Mundo.
Quem quiser que reclame, que se ofenda. Que ache uma atitude anti-democrática, uma ofensa a uma instituição secular. Mas na verdade aquilo lá foi apenas um alerta. Um recado direto: quem quiser respeito que se faça respeitar.
E o alerta é tanto mais representativo quando se observa que o comando da baderna estava sob o planejamento de um dirigente petista, o bem nascido Bruno Maranhão que, sem precisar de terras, lidera uma das mais de setenta facções do MST. A dele é o Movimento de Libertação dos Sem Terra. Uma visão nova, portanto. Além da falta de terra esta facção acha também que não tem liberdade.
A maior qualidade de Bruno Maranhão, como líder do MLST e integrante da Executiva Nacional do PT, é ser amigo companheiro do presidente Lula. Tem trânsito livre no palácio do Governo. Tanto que venceu as dificuldade e se encontrou com o presidente em audiência oficial por duas vezes este ano. Aliás, na visita recente de Sua Excelência a Pernambuco lá estava o Bruno amigo em cima dos palanques. Foi um dos convidados especiais para compor a comitiva. Provavelmente um prêmio pela invasão que comandou em abril do ano passado ao Ministério da Fazenda.
Para justificar atitudes, Bruno Maranhão, em entrevista, disse que as pessoas têm que separar a sua condição de dirigente petista da condição de líder do MLST. Como se isto fosse possível. É o mesmo raciocínio que tiveram velhos amigos e companheiros do presidente Lula, como José Dirceu, Delúbio, Silvinho Pereira, Paulo Okamoto et caterva, quando flagrados em desacordo com a lei, a ética e a moral.
Lula, sem atentar os alertas, vai descartando amigos e companheiros um a um, na medida em que eles provam que nunca estiveram preparados para fazer parte da Corte. Não enxergou ainda que o problema não é dos despreparados que se aproveitam do poder do rei, mas de uma instituição que não o acompanhou na conquista do poder. O Partido dos Trabalhadores.

segunda-feira, junho 05, 2006

PATRIOTISMO OU ESPORTE SIMPLESMENTE

Tenho um péssimo gosto. Não gosto de futebol, por exemplo! Devo ser o único brasileiro macho a não apreciar o esporte bretão. Nem sei de onde tiraram este tal de bretão para apelidar o futebol: se da Grã-Bretanha (Inglaterra), ou se de Bretanha (França). Mas isto não importa muito.
O certo é que futebol não me empolga. Nem mesmo o da seleção brasileira. Sou impatriótico quando vejo milhares de brasileiros repetindo indevidamente o genial jornalista Nelson Rodrigues, de que a seleção de futebol é a “Pátria de Chuteiras”. Apaixonado por futebol, Nelson Rodrigues igualmente adorava o poder militar. Criou a frase para homenagear os milicos que mandavam no Brasil e escalavam também a seleção brasileira de futebol.
Tampouco sou católico, ou protestante. Porque dizem que futebol é uma religião. Estou mais para niilista.
Não ligo o mínimo se a seleção perde. Gosto quando ela ganha porque significa bom humor no dia seguinte no ambiente de trabalho, nas ruas e até, quem diria, nas repartições públicas. Aliás, no meu trabalho, ninguém notou ainda que sou vira-casaca. Meu time nunca perde. Sou cadeira cativa da turma que goza os perdedores após as rodadas de futebol.
E como tudo vai parar a partir desta semana, o blog também vai tirar uma folga. Voltarei só em caráter extraordinário caso a nossa “Pátria de Chuteiras” perca alguma batalha para os inimigos. Ou a guerra. O que seria péssimo para humor nacional, para a economia e para os políticos desportistas de última hora.

terça-feira, maio 30, 2006

O NEOLOGISTA CHICO GERARDO

A STRANS, através do inteligente gestor Chico Gerardo, descobriu de repente que não utiliza radar móvel para arrancar dos motoristas mais apressados uma grana extra. Interessante a descoberta. Principalmente porque a própria STRANS, desde a implantação do sistema de radares que mudam de lugar diariamente, distribuía comunicado para a imprensa grifando bem as palavras “os radares móveis estarão hoje nos seguintes locais”. E nominava as avenidas escolhidas.
Chico Gerardo, depois que viu a decisão judicial dizendo que eles eram ilegais em todo o país, transformou rapidamente os seus radares móveis em "radares estáticos". Esperto e rápido no gatilho. Chico explicou ainda, em entrevista na TV, que radar móvel é aquele que fica se movendo, se deslocando. E não seria o caso dos seus, que são movidos pelos funcionários mas ficam estáticos, paradinhos, depois da escolha do local onde devem atuar.
Há de se perguntar aos motoristas de todo o país: alguém já viu, por acaso, neste mundão que Deus criou, algum radar correndo atrás ou na frente de um carro para registrar velocidade? Claro que não! Mas o Chico disse que tem e ele é administrador sério.
Tudo bem. Recorra-se ao dicionário. No Aurélio, móvel significa o “que se pode mover”. Ou seja, é aquilo que pode ser movido. Exatamente o que ocorre com os radares do Chico, que são transportados para locais estratégicos, de preferência onde o motorista só descobre depois que foi flagrado acelerando um pouquinho mais.
Vejamos, por exemplo, a avenida Maranhão. O “radar estático” do Chico, que deveria ficar à altura do Centro Administrativo, onde há maior fluxo de pedestres, inteligentemente é movido para uns duzentos metros mais adiante. É exatamente neste espaço que o motorista, normalmente mais cauteloso em frente ao Centro Administrativo, acelera um pouco mais para passar a quinta marcha. Aí o resultado é aquele clic-clic do “radar estático”.
Caramba! O Chico está errado. Se é “radar estático” por que se move internamente para acompanhar a velocidade dos incautos e ainda bater foto pra dedurar? Pelo mesmo Dicionário Aurélio, estático quer dizer “imóvel como estátua, hirto, que se acha em total estado de repouso".
Fiquemos com o Aurélio, portanto. Ficar com o Chico e ser impaciente no trânsito dá prejuízo.

quarta-feira, maio 24, 2006

A CUMPLICIDADE IGUALA NA CULPA

O deputado do PFL piauiense Ciro Nogueira, corregedor da Câmara, está perdendo o bonde da história. Recebeu da PF o livro caixa da Planan, empresa que promoveu o toma lá dá cá no escândalo das ambulâncias, que ficou conhecido como caso dos sanguessugas, viu os nomes dos deputados e senadores envolvidos, enrolou, enrolou e recuou.
De que o deputado tem medo? Por um acaso viu nomes intocáveis relacionados no livro caixa, que aponta fielmente quem recebeu um agrado para colocar emendas no orçamento da União para comprar ambulância superfaturada?
É óbvio que a grande maioria dos parlamentares, a pedido das bases, destinou recurso para compra de ambulância. Mas é claro, inequívoco até, que nem todos entraram no esquema. Mas alguém deve ter recebido. E é isto que a Câmara e o Senado deveriam apurar. Investigar exaustivamente. O corporativisto torna todos cumplices das irregularidades.
Os inocentes devem receber um certificado. Os culpados devem ser mandados ao fogo dos infernos.
O que não pode é ficar a dúvida. Nos boletins informativos da maioria dos deputados, ou nos discursos para as bases, ou nas ações divulgadas consta doação de ambulância para entidades. Todos, indistintamente, são agora tidos e havidos como culpados. Corruptos. Esta é a imagem que o Congresso quer passar para o Brasil?
Ciro nogueira, repita-se, perde o bonde da história ao deixar de fazer a única coisa sensata no episódio: convocar a imprensa, mostrar a lista com os nomes e alertar que a apuração de culpa cabe ao Ministério Público. Um mandato parlamentar é dado pelo povo. Que se informe ao povo o que deve ser informado.

segunda-feira, maio 22, 2006

NON PLUS ULTRA

Recebemos aqui na redação um pacote misterioso há duas semanas. “Para a TV Clube – Departamento de Jornalismo”, dizia o endereçamento. Após a discussão de quem era o dono, resolvemos abrir em conjunto.
Surpresa! Tratava-se da Edição Especial do Informativo REVERSO, número oito. Um jornalzinho simpático, com notícias do deputado Nazareno Fonteles – PT-PI, da primeira à última página. Uma espécie de prestação de contas do mandato. Que ninguém pediu, é bem verdade.
A maioria dos colegas deu uma rápida olhada nas fotos, leu as manchetes e jogou o impresso sobre a mesa ou na cesta de lixo. Observei atentamente o comportamento de cada um. No final da tarde, entre desinteresse, consulta tipo SUS e caminho da lixeira, ainda sobravam no pacote mais de setenta exemplares. Havia outros espalhados pela redação, sobre as mesas.
Hoje foi o aniversário de dois colegas. É tradição aqui aparecer um bolo para cantar os parabéns. A mesa grande de reunião de pauta se transforma em cenário. Qual não foi a minha surpresa ao observar a decoração tema do aniversário: fotos coloridas de Nazareno Fonteles, algumas charges e manchetes. Umas em tipo preto, outras em vermelho. Lá estavam espalhadas as sobras do informativo REVERSO. Não era bem o que se podia esperar, mas de qualquer forma foi bem aproveitado para evitar sujeira maior no nosso ambiente de trabalho. No final da farra conferi de novo o pacote. Dá ainda para fazer uns dez aniversários e, quem sabe, com boa vontade e criatividade sobre até para alguma decoração da Copa do Mundo. E nas redações onde não se cultiva o hábito dessas farras improvisadas, ou que a rigidez do ambiente só permite festinha na área da cantina, o que terá sido feito do Jornal do Nazareno? É uma indagação pertinente. Se não houver explicação acho que os piauienses devem exigir algum dinheiro de volta. Uma parcela do Imposto de Renda compulsório que o governo nos toma para pagar o salário, a mordomia e a propaganda dos deputados federais e estaduais. Queremos que os deputados, quando resolverem imprimir informativos mostrando as ações e o trabalho que alegam fazer, digam também quanto gastam com os boletins informativos cheios de fotos coloridas. Pessoalmente quero dar uma chance ao deputado Nazareno, porque estou confuso e gostaria de ter uma explicação. REVERSO, o título do seu informativo, é um Adjetivo ou um Substantivo? Dependo disto para o entendimento geral da sua preocupação com o marketing.

quinta-feira, maio 18, 2006

ABAIXO A BANDA LARGA. VIVA O SATÉLITE

Nada mais irritante e mais perigoso para o brasileiro que as providências de última hora. Logo após um grande evento, de boa ou má repercussão, aparecem as autoridades, os parlamentares e os “especialistas” pegando carona para resolver tudo. É o caso lamentável do que ocorre em São Paulo. O Congresso se comoveu e está criando e votando leis de gaveta para combater o crime. Os governos estadual e federal trataram de arranjar culpados e analisar sociologicamente os fatos. Sobrou até para as operadoras de telefonia. “Ganham bilhões com a exploração dos serviços, portanto têm a obrigação de resolver o problema dos celulares das cadeias” – dizem os entendidos e peritos de última hora. Celular na mão de bandido encarcerado passou a ser uma falha tecnológica e não simplesmente o resultado da incompetência administrativa e da corrupção carcerária. Há mais de três anos o Brasil acompanha ao vivo as grandes rebeliões em presídios. Em todas, indistintamente, o jornalismo ágil das TVs mostra os bandidos empoleirados no teto dos pavilhões de celas falando ao celular. Fechando negócios, prestando conta aos líderes e espalhando as notícias para outras unidades prisionais. Já ouvimos entrevista de bandido pelo celular para grandes redes de TV. É como se o problema não existisse. Aliás, até a semana passada nem era problema. De repente alguém descobriu que o preso não deveria se comunicar tão facilmente com o mundo externo. Mas a idéia simples e barata de revistar celas e presos periodicamente, pelo menos após cada visita de familiares e advogados, não bateu na cabeça de ninguém. E se alguém lembrou logo argumentou que não daria resultado. Tem que haver uma grana rolando. A solução é investir mais alguns milhões de reais para bloquear a freqüência usada por celulares, em todas as tecnologias disponíveis, nas áreas dos presídios. Assim vai ter lucro. Grana é a mola e o lucro motores que fazem o mundo funcionar. Tudo bem, vamos fazer rolar uma grana. Mas nunca é demais informar: além das freqüências de 800MHz, 900MHz e 1800MHz já está disponível no mercado a telefonia móvel via satélite. Tecnologia um pouco mais cara, mas acessível a qualquer bandidinho minimamente organizado. Antes que alguém se alegre e pense em ir mais à frente, rolando mais grana para bloquear os satélites, é melhor pensar que também pode dar lucro investindo na construção de novas vagas nos presídios. No treinamento dos agentes penitenciários, no controle contra a corrupção.

sábado, maio 13, 2006

SOMOS TODOS NEGRÕES

Hoje, 13 maio, é o Dia da Consciência Negra. Imagino que nas redações de todos os telejornais produtores e editores se desdobraram para fazer alguma matéria para lembrar a data. Sou contra. Nada a ver com preconceito ou racismo. Pura ciência. Aconselho a negros, mulatos, brancos, amarelos, pardos, jornalistas, minorias afins, autoridades e o povo em geral a leitura de "GENES, POVOS E LÍNGUAS", do geneticista italiano Luca Cavalli-Sforza. Com base em análise de DNA de pessoas de todos os continentes, ele afirma e comprova com grande força de argumentação que todo mundo é parente. Somos todos do mesmo tronco. Somos uma grande família. E a áfrica é a terra mãe da humanidade. O conceito de raça baseado na cor da pele é uma tremenda balela. As diferenças físicas existem porque o ser humano começou a migrar e foi se adaptando aos novos climas. Na áfrica a pele escura protege o organismo do sol do equador. O cabelo pixaim é para reter líquidos do suor e refrescar não só a cabeça mas os próprios vasos sanguíneos. Em cem mil anos – ensina o geneticista italiano, Enquanto o negrão ia se afastando de sua terra, o organismo acompanhava as necessidades de adaptação. Quem foi para o norte e se espalhou pela Europa ganhou pele clara para captar melhor a vitamina D proveniente dos raios ultravioletas. O frio forçou a plástica no nariz. As narinas ficaram estreitas para forçar a passagem de ar e aquecê-lo antes da chegada aos pulmões. No oriente quem fez plástica nos olhos dos negrões foi o vento siberiano. Por isto os chineses e todo o povo oriental têm os olhos fechados por uma bolsa gordurosa. Para desviar as correntes de ar geladas e incômodas. Resumindo: não existe raça negra, nem branca. Tampouco amarela. Existe a raça humana. Portanto abaixo os preconceitos. Pele branca é disfarce. Somos uns tremendos negrões que mudamos de cor, formado de nariz e de olhos por puro capricho da natureza. E agora, quem poderá indenizar os insatisfeitos?

quinta-feira, maio 11, 2006

PREVISÕES ÓBVIAS

PREVISÃO 1 - O ex-governador do Rio, Antony Garotinho, em greve de fome há duas semanas, anunciou que vai à convenção do PMDB para disputar a indicação de candidato à presidência da República. VAI DESMAIAR EM FRENTE ÀS CÂMERAS DE TV, para provar que está debilitado. Terá uma saída honrosa para a patuscada em que se meteu. PREVISÃO 2 - O PREÇO DO GÁS VAI AUMENTAR PARA O CONSUMIDOR BRASILEIRO. A Petrobrás, é bom lembrar, é uma estatal de capital aberto. Tem acionistas. O presidente Lula não pode, sozinho, decidir que a empresa ficará com o prejuÍzo do eventual aumento imposto pelo governo boliviano. Lula mente ao dar as garantias de que o gás não aumenta. PREVISÃO 3 - A SELEÇÃO BRASILEIRA VAI DECEPCIONAR NO MUNDIAL.

segunda-feira, maio 08, 2006

INJUSTIÇAS COM LULA

Um fim de semana difícil para o presidente Lula. Abandonado pelo partido, acossado pela PF e esquecido pelos amigos, o ex-dirigente petista Sílvio Pereira resolveu falar. Disse, em longa entrevista ao jornal “O Globo”, que os chefes da quadrilha que assaltou os cofres públicos são os donos do PT. Incluindo aí, e principalmente, o presidente Lula. Não vale. Ninguém deve dar um tiquinho de crédito sequer à nova versão do ex-dirigente petista que nos tempos de vacas gordas, de poder, foi flagrado recebendo um mimo, um modesto Land Rover de setenta mil reais, para traficar influências no Governo. Silvinho Pereira teve a chance de contar tudo à CPI e não o fez. Por que só agora resolveu lembrar de dados e fatos? No domingo à tarde os jornalistas impertinentes, desavisados, pegaram o presidente no lazer e quiseram saber o que ele podia dizer sobre as declarações do ex-secretário geral do PT. A resposta óbvia do presidente é que não sabia de nada, não tinha lido nada, não tinha visto tv e só nesta segunda-feira poderia falar. Não é segredo que o presidente não gosta de ler, tampouco é segredo que ele nunca sabe de nada. Por que, então, a imprensa continua correndo atrás do nada? Pelo visto o presidente também não tem assessores para avisa-lo do que está ocorrendo. E nem amigos. Ou melhor, tem os melhores amigos porque não o aborrecem com estas coisinhas sem nenhuma significância. Ao invés de aborrecer o presidente com perguntas para as quais ele nunca está preparado, o de que precisamos, nós jornalistas, é dar uma contribuição ao país. Incentivar Lula. Presenteá-lo com livros. Faze-lo adquirir o interesse pelas palavras. E alguém precisa dar o primeiro passo. Liguei hoje cedo para Brasília e pedi para agendar uma audiência com Sua Excelência. Não sei se vou conseguir. Ficaram de dar retorno de uma data disponível. Pelo sim, pelo não, estou juntando uns livrinhos já descartados pelo Marcus Felipe Cavalcante, meu neto, de três anos. Livros bem simples, cheios de figurinhas, com até vinte páginas e menos de cem palavras. Estes maravilhosos livros que fazem a criança ter o primeiro contato com a necessidade de pensar e incentivam a imaginação. Ainda bem que o meu neto, com apenas três aninhos, já passeou por um sem número de títulos. Mais de cinqüenta. Separei para a viagem "As coisas preferidas de Margarida"– de Jane Simmons; "A zabumba do quati", "Banho sem chuva", "Baladas e amigos", "Com prazer e alegria" e "Fome danada" – de Ana Maria Machado; "Olha o Olho da Menina" – de Marisa Prado, Ilustrado por Ziraldo; além de outros. Dentre todos, dois chamaram-me bastante a atenção. Um é "Dino Amigo". É a história de três filhotes de dinossauro brasileiros que lutam contra a bruxa Tiranarex. Ao longo da narrativa o livrinho vai passando conhecimentos e dando dicas de ética e ensinando agir do lado do bem. O outro é da ilustradora inglesa Lucy Cousins. Ela resolveu escrever e criou não apenas livros, mas uma série de descobertas. Centrada na personagem Ninoca, uma ratinha branca de focinho cor-de-rosa, a autora incentiva o leitor a ir cada vez mais à frente, para as próxima páginas. A ratinha ganhou dezenas de aventuras bem escritas e com ilustração primorosa: "Ninoca vai dormir", "Ninoca faz aniversário", "Ninoca escova os dentes"... Ninoca... Ninoca e mais Ninoca. A ratinha faz de tudo e o leitor, puxando umas lingüetas nas páginas do livro, faz a ratinha se movimentar pelo cenário de cada história. Um primor para quem precisa de incentivo aos primeiros passos na leitura. O problema é que os livros da Ninoca são um pouco mais caros. Não vou leva-los para o nosso presidente. Meu neto não os liberou. Mas não há de ser nada. Marcos Valério pode providenciar a coleção completa para Lula.

quinta-feira, maio 04, 2006

A DESVALORIZAÇÃO DA MAMONA

Quando menino, em Fortaleza e depois aqui em Teresina, costumava brincar com os parceiros de infância de guerrear. A munição, o fruto da mamoneira. Ou carrapateira, como era conhecido o pé de mamona lá no Ceará. Convivi com a mamona abundante em terrenos baldios e monturos. Mais tarde, no ginásio, outra aproximação.Desta feita culturalmente. Aprendi que o óleo pode ser usado na fabricação de tintas e isolantes, como lubrificante na aeronáutica porque é de baixa temperatura, para o fabrico de cosméticos e drogas farmacêuticas. Serve também de base na fabricação de corantes, anilina, desinfetantes, germicidas, inseticidas, tintas de impressão e vernizes, colas e aderentes, além de nylon e matéria plástica. Mais recentemente uma pesquisa da Universidade de Viçosa garantiu: o óleo de mamona transformado em plástico, sob a ação de reatores nucleares, adquire a resistência do aço, mantendo a leveza da matéria plástica. Mas a notícia de maior impacto para mim, sobre a mamona, é bem outra e tem pouco tempo: o óleo de alta qualidade e qualificação, pela inteligência de alguns privilegiados pesquisadores, pode ser transformado em combustível. Como assim, cara pálida? Reagi de pronto! Quem vai querer embarcar nesta canoa furada, se o azeite de mamona, extraído até de maneira rústica, vale no mercado externo cerca de MIL DÓLARES a tonelada? Quem vai investir em tecnologia cara e sofisticada, em pesquisa, para refinar este azeite, transforma-lo em combustível, cujo preço não alcança os QUINHENTOS DÓLARES a tonelada, no mesmo mercado externo? Fiz esta pergunta para o senador Alberto Silva, que foi o primeiro a trazer para o Piauí as boas novas. “Isto é bobagem”, respondeu ele, com a autoridade de quem passou por outros grandes experimentos científicos, como a máquina de arrancar toco, o navio do sal, a navegabilidade do rio Parnaíba, a inseminação de vermiculita em sementes de feijão, as hortas de telhado, etc. Sem prejuízo, claro, da grande capacidade administrativa de que é dotado. Repeti a pergunta aos assessores do presidente Lula, quando se fez festa para lançar o projeto de plantação de mamona no Piauí. Pediram-me um endereço eletrônico para mandar material provando a viabilidade do projeto questionado por mim. Ainda estou aguardando resposta. Hoje, para nenhuma surpresa minha, acompanhei uma extraordinária reportagem de Marcos Teixeira mostrando que o grandioso projeto com mamonas no Piauí, para produção de biodíesel, fez água. Ou melhor, fez devastação de mata, decepção de agricultores e provavelmente fome de muitas famílias que acreditaram nas promessas mirabolantes do presidente Lula. O mais assustador em tudo é que ainda querem nos enganar. Após a reportagem da TV Clube, apareceu o doutor Sérgio Vilela, Gerente de Relações Internacionais do Estado do Piauí, provavelmente mais um desentendido em mamona, ao vivo, garantindo que o governo vai ajudar as famílias que não conseguirem produzir mamona como estava planejado, fantasiado e prometido. Mas com qual dinheiro, doutor Sérgio? Volto à infância, se preciso. Encho meu patuá de fruto da carrapateira e vou à guerra. Quero preservar os meus investimentos no Estado. Não foi para isto que recolhi e continuo pagando em dia os meus impostos.