quarta-feira, junho 28, 2006

FUTEBOL É COMO HORÓSCOPO

Volto antes do tempo. Prometi que só o faria após a Copa do Mundo. Mas volto para falar de futebol, coisa de que não entendo. Tampouco sou muito fã. Fui incentivado pelo blog do Marona. Ele largou tudo para analisar os jogos da Copa do Mundo.
Largou tudo?
E tem alguma outra coisa acontecendo?
Analisar futebol?
Melhor dizendo, o Marona está esmerando a opinião dele. Como achei interessantes algumas colocações resolvi tascar aqui também as minhas opiniões. Se bem que o Marona é gremista roxo e diz que entende e adora futebol. Eu, nem tanto.
Por exemplo, sou torcedor roxo do time que ganha. E quando quero saber qual time vai ganhar leio o meu horóscopo ou telefono para a Mãe Diná. Nunca erro. Nada melhor que confiar no imponderável para entender o que não tem lógica.
Se houvesse lógica no futebol talvez eu gostasse. Mas também não teria graça nenhuma. Já pensou o torcedor abrindo os jornais de manhã, ou a internet, ou a TV e, de posse das estatísticas e das análises, já tivesse a garantia do resultado? Ninguém ia aos estádios. A Copa do Mundo, então, não daria nenhuma chance ao lobby de escalar esse ou aquele Ronaldinho.
Dei-me ao trabalho de ler e ouvir ultimamente muitos comentários de “especialistas em futebol”. Ninguém concorda com o Parreira, salvo alguns de última hora depois dos bons resultados. Todos tiveram o cuidado de colocar na Seleção os seus jogadores preferidos. Mas esqueceram de tirar os do Parreira.
Se o Parreira pudesse fazer assim também, colocar o time com quinze jogadores em campo, acho que nunca ia haver discussão.
Mas a melhor opinião que ouvi mesmo foi a da Mãe Diná na Rádio Globo AM, sendo entrevistada em um programa de variedades, na terça-feira de manhã, antes do jogo Brasil X Gana. Vou tentar reproduzir o diálogo: - E aí, mãe Diná, o que que a senhora pode dizer do jogo de hoje para tranqüilizar a galera? - Meu filho você lembra que eu disse que o Ronaldo ia melhorar. Você viu como ele já fez um gol? - Sim Mãe Diná, mas ele vai fazer gol hoje? - Olhe, se ele melhorar mais, vai fazer sim. Mas pode não fazer, se estiver ligando para o que falam dele. - Mas a senhora acha que a Seleção vai em frente, ganha hoje? - Olhe, tem tudo para ganhar, se jogar do jeito que jogou contra o Japão. Mas tem que tomar cuidado com o pessoal de Gana, que corre muito, tem muita velocidade. Se não tomar cuidado, meu filho, pode perder o jogo.
Sou fã da Mãe Diná. Ela, sim, entende de futebol. E eu me identifico com ela. Porque mesmo sem entender muito, juro que pensava do mesmo jeito antes do jogo contra Gana. E vejam que ela acertou tudo: o Ronaldo num ta nem aí para os que falam dele. Melhorou e fez dois. O Brasil não jogou como no jogo contra o Japão mas tomou cuidado com a velocidade dos africanos. Não deu outra. Deu Brasil.
E, voltando ao Marona, posso garantir que ele entende menos de futebol que a mãe Diná. É só conferir no blogdomarona.blogspot.com

quarta-feira, junho 07, 2006

A BADERNA COMO ALERTA

Finalmente uma coisa interessante para ocupar o noticiário dos telejornais, além das bolhas no pé do jogador Ronaldo. E não se trata da bunda do Ronaldinho Gaúcho, que saiu ferida do treinamento de hoje pela manhã.
Fala-se aqui da invasão do prédio da Câmara dos Deputados. Uma beleza de vandalismo. Uma atitude das massas. Coisa bem planejada, arquitetada com inteligência, para ganhar espaço na mídia e jogar ao segundo plano o patriotismo despertado pela Copa do Mundo.
Quem quiser que reclame, que se ofenda. Que ache uma atitude anti-democrática, uma ofensa a uma instituição secular. Mas na verdade aquilo lá foi apenas um alerta. Um recado direto: quem quiser respeito que se faça respeitar.
E o alerta é tanto mais representativo quando se observa que o comando da baderna estava sob o planejamento de um dirigente petista, o bem nascido Bruno Maranhão que, sem precisar de terras, lidera uma das mais de setenta facções do MST. A dele é o Movimento de Libertação dos Sem Terra. Uma visão nova, portanto. Além da falta de terra esta facção acha também que não tem liberdade.
A maior qualidade de Bruno Maranhão, como líder do MLST e integrante da Executiva Nacional do PT, é ser amigo companheiro do presidente Lula. Tem trânsito livre no palácio do Governo. Tanto que venceu as dificuldade e se encontrou com o presidente em audiência oficial por duas vezes este ano. Aliás, na visita recente de Sua Excelência a Pernambuco lá estava o Bruno amigo em cima dos palanques. Foi um dos convidados especiais para compor a comitiva. Provavelmente um prêmio pela invasão que comandou em abril do ano passado ao Ministério da Fazenda.
Para justificar atitudes, Bruno Maranhão, em entrevista, disse que as pessoas têm que separar a sua condição de dirigente petista da condição de líder do MLST. Como se isto fosse possível. É o mesmo raciocínio que tiveram velhos amigos e companheiros do presidente Lula, como José Dirceu, Delúbio, Silvinho Pereira, Paulo Okamoto et caterva, quando flagrados em desacordo com a lei, a ética e a moral.
Lula, sem atentar os alertas, vai descartando amigos e companheiros um a um, na medida em que eles provam que nunca estiveram preparados para fazer parte da Corte. Não enxergou ainda que o problema não é dos despreparados que se aproveitam do poder do rei, mas de uma instituição que não o acompanhou na conquista do poder. O Partido dos Trabalhadores.

segunda-feira, junho 05, 2006

PATRIOTISMO OU ESPORTE SIMPLESMENTE

Tenho um péssimo gosto. Não gosto de futebol, por exemplo! Devo ser o único brasileiro macho a não apreciar o esporte bretão. Nem sei de onde tiraram este tal de bretão para apelidar o futebol: se da Grã-Bretanha (Inglaterra), ou se de Bretanha (França). Mas isto não importa muito.
O certo é que futebol não me empolga. Nem mesmo o da seleção brasileira. Sou impatriótico quando vejo milhares de brasileiros repetindo indevidamente o genial jornalista Nelson Rodrigues, de que a seleção de futebol é a “Pátria de Chuteiras”. Apaixonado por futebol, Nelson Rodrigues igualmente adorava o poder militar. Criou a frase para homenagear os milicos que mandavam no Brasil e escalavam também a seleção brasileira de futebol.
Tampouco sou católico, ou protestante. Porque dizem que futebol é uma religião. Estou mais para niilista.
Não ligo o mínimo se a seleção perde. Gosto quando ela ganha porque significa bom humor no dia seguinte no ambiente de trabalho, nas ruas e até, quem diria, nas repartições públicas. Aliás, no meu trabalho, ninguém notou ainda que sou vira-casaca. Meu time nunca perde. Sou cadeira cativa da turma que goza os perdedores após as rodadas de futebol.
E como tudo vai parar a partir desta semana, o blog também vai tirar uma folga. Voltarei só em caráter extraordinário caso a nossa “Pátria de Chuteiras” perca alguma batalha para os inimigos. Ou a guerra. O que seria péssimo para humor nacional, para a economia e para os políticos desportistas de última hora.

terça-feira, maio 30, 2006

O NEOLOGISTA CHICO GERARDO

A STRANS, através do inteligente gestor Chico Gerardo, descobriu de repente que não utiliza radar móvel para arrancar dos motoristas mais apressados uma grana extra. Interessante a descoberta. Principalmente porque a própria STRANS, desde a implantação do sistema de radares que mudam de lugar diariamente, distribuía comunicado para a imprensa grifando bem as palavras “os radares móveis estarão hoje nos seguintes locais”. E nominava as avenidas escolhidas.
Chico Gerardo, depois que viu a decisão judicial dizendo que eles eram ilegais em todo o país, transformou rapidamente os seus radares móveis em "radares estáticos". Esperto e rápido no gatilho. Chico explicou ainda, em entrevista na TV, que radar móvel é aquele que fica se movendo, se deslocando. E não seria o caso dos seus, que são movidos pelos funcionários mas ficam estáticos, paradinhos, depois da escolha do local onde devem atuar.
Há de se perguntar aos motoristas de todo o país: alguém já viu, por acaso, neste mundão que Deus criou, algum radar correndo atrás ou na frente de um carro para registrar velocidade? Claro que não! Mas o Chico disse que tem e ele é administrador sério.
Tudo bem. Recorra-se ao dicionário. No Aurélio, móvel significa o “que se pode mover”. Ou seja, é aquilo que pode ser movido. Exatamente o que ocorre com os radares do Chico, que são transportados para locais estratégicos, de preferência onde o motorista só descobre depois que foi flagrado acelerando um pouquinho mais.
Vejamos, por exemplo, a avenida Maranhão. O “radar estático” do Chico, que deveria ficar à altura do Centro Administrativo, onde há maior fluxo de pedestres, inteligentemente é movido para uns duzentos metros mais adiante. É exatamente neste espaço que o motorista, normalmente mais cauteloso em frente ao Centro Administrativo, acelera um pouco mais para passar a quinta marcha. Aí o resultado é aquele clic-clic do “radar estático”.
Caramba! O Chico está errado. Se é “radar estático” por que se move internamente para acompanhar a velocidade dos incautos e ainda bater foto pra dedurar? Pelo mesmo Dicionário Aurélio, estático quer dizer “imóvel como estátua, hirto, que se acha em total estado de repouso".
Fiquemos com o Aurélio, portanto. Ficar com o Chico e ser impaciente no trânsito dá prejuízo.

quarta-feira, maio 24, 2006

A CUMPLICIDADE IGUALA NA CULPA

O deputado do PFL piauiense Ciro Nogueira, corregedor da Câmara, está perdendo o bonde da história. Recebeu da PF o livro caixa da Planan, empresa que promoveu o toma lá dá cá no escândalo das ambulâncias, que ficou conhecido como caso dos sanguessugas, viu os nomes dos deputados e senadores envolvidos, enrolou, enrolou e recuou.
De que o deputado tem medo? Por um acaso viu nomes intocáveis relacionados no livro caixa, que aponta fielmente quem recebeu um agrado para colocar emendas no orçamento da União para comprar ambulância superfaturada?
É óbvio que a grande maioria dos parlamentares, a pedido das bases, destinou recurso para compra de ambulância. Mas é claro, inequívoco até, que nem todos entraram no esquema. Mas alguém deve ter recebido. E é isto que a Câmara e o Senado deveriam apurar. Investigar exaustivamente. O corporativisto torna todos cumplices das irregularidades.
Os inocentes devem receber um certificado. Os culpados devem ser mandados ao fogo dos infernos.
O que não pode é ficar a dúvida. Nos boletins informativos da maioria dos deputados, ou nos discursos para as bases, ou nas ações divulgadas consta doação de ambulância para entidades. Todos, indistintamente, são agora tidos e havidos como culpados. Corruptos. Esta é a imagem que o Congresso quer passar para o Brasil?
Ciro nogueira, repita-se, perde o bonde da história ao deixar de fazer a única coisa sensata no episódio: convocar a imprensa, mostrar a lista com os nomes e alertar que a apuração de culpa cabe ao Ministério Público. Um mandato parlamentar é dado pelo povo. Que se informe ao povo o que deve ser informado.

segunda-feira, maio 22, 2006

NON PLUS ULTRA

Recebemos aqui na redação um pacote misterioso há duas semanas. “Para a TV Clube – Departamento de Jornalismo”, dizia o endereçamento. Após a discussão de quem era o dono, resolvemos abrir em conjunto.
Surpresa! Tratava-se da Edição Especial do Informativo REVERSO, número oito. Um jornalzinho simpático, com notícias do deputado Nazareno Fonteles – PT-PI, da primeira à última página. Uma espécie de prestação de contas do mandato. Que ninguém pediu, é bem verdade.
A maioria dos colegas deu uma rápida olhada nas fotos, leu as manchetes e jogou o impresso sobre a mesa ou na cesta de lixo. Observei atentamente o comportamento de cada um. No final da tarde, entre desinteresse, consulta tipo SUS e caminho da lixeira, ainda sobravam no pacote mais de setenta exemplares. Havia outros espalhados pela redação, sobre as mesas.
Hoje foi o aniversário de dois colegas. É tradição aqui aparecer um bolo para cantar os parabéns. A mesa grande de reunião de pauta se transforma em cenário. Qual não foi a minha surpresa ao observar a decoração tema do aniversário: fotos coloridas de Nazareno Fonteles, algumas charges e manchetes. Umas em tipo preto, outras em vermelho. Lá estavam espalhadas as sobras do informativo REVERSO. Não era bem o que se podia esperar, mas de qualquer forma foi bem aproveitado para evitar sujeira maior no nosso ambiente de trabalho. No final da farra conferi de novo o pacote. Dá ainda para fazer uns dez aniversários e, quem sabe, com boa vontade e criatividade sobre até para alguma decoração da Copa do Mundo. E nas redações onde não se cultiva o hábito dessas farras improvisadas, ou que a rigidez do ambiente só permite festinha na área da cantina, o que terá sido feito do Jornal do Nazareno? É uma indagação pertinente. Se não houver explicação acho que os piauienses devem exigir algum dinheiro de volta. Uma parcela do Imposto de Renda compulsório que o governo nos toma para pagar o salário, a mordomia e a propaganda dos deputados federais e estaduais. Queremos que os deputados, quando resolverem imprimir informativos mostrando as ações e o trabalho que alegam fazer, digam também quanto gastam com os boletins informativos cheios de fotos coloridas. Pessoalmente quero dar uma chance ao deputado Nazareno, porque estou confuso e gostaria de ter uma explicação. REVERSO, o título do seu informativo, é um Adjetivo ou um Substantivo? Dependo disto para o entendimento geral da sua preocupação com o marketing.

quinta-feira, maio 18, 2006

ABAIXO A BANDA LARGA. VIVA O SATÉLITE

Nada mais irritante e mais perigoso para o brasileiro que as providências de última hora. Logo após um grande evento, de boa ou má repercussão, aparecem as autoridades, os parlamentares e os “especialistas” pegando carona para resolver tudo. É o caso lamentável do que ocorre em São Paulo. O Congresso se comoveu e está criando e votando leis de gaveta para combater o crime. Os governos estadual e federal trataram de arranjar culpados e analisar sociologicamente os fatos. Sobrou até para as operadoras de telefonia. “Ganham bilhões com a exploração dos serviços, portanto têm a obrigação de resolver o problema dos celulares das cadeias” – dizem os entendidos e peritos de última hora. Celular na mão de bandido encarcerado passou a ser uma falha tecnológica e não simplesmente o resultado da incompetência administrativa e da corrupção carcerária. Há mais de três anos o Brasil acompanha ao vivo as grandes rebeliões em presídios. Em todas, indistintamente, o jornalismo ágil das TVs mostra os bandidos empoleirados no teto dos pavilhões de celas falando ao celular. Fechando negócios, prestando conta aos líderes e espalhando as notícias para outras unidades prisionais. Já ouvimos entrevista de bandido pelo celular para grandes redes de TV. É como se o problema não existisse. Aliás, até a semana passada nem era problema. De repente alguém descobriu que o preso não deveria se comunicar tão facilmente com o mundo externo. Mas a idéia simples e barata de revistar celas e presos periodicamente, pelo menos após cada visita de familiares e advogados, não bateu na cabeça de ninguém. E se alguém lembrou logo argumentou que não daria resultado. Tem que haver uma grana rolando. A solução é investir mais alguns milhões de reais para bloquear a freqüência usada por celulares, em todas as tecnologias disponíveis, nas áreas dos presídios. Assim vai ter lucro. Grana é a mola e o lucro motores que fazem o mundo funcionar. Tudo bem, vamos fazer rolar uma grana. Mas nunca é demais informar: além das freqüências de 800MHz, 900MHz e 1800MHz já está disponível no mercado a telefonia móvel via satélite. Tecnologia um pouco mais cara, mas acessível a qualquer bandidinho minimamente organizado. Antes que alguém se alegre e pense em ir mais à frente, rolando mais grana para bloquear os satélites, é melhor pensar que também pode dar lucro investindo na construção de novas vagas nos presídios. No treinamento dos agentes penitenciários, no controle contra a corrupção.

sábado, maio 13, 2006

SOMOS TODOS NEGRÕES

Hoje, 13 maio, é o Dia da Consciência Negra. Imagino que nas redações de todos os telejornais produtores e editores se desdobraram para fazer alguma matéria para lembrar a data. Sou contra. Nada a ver com preconceito ou racismo. Pura ciência. Aconselho a negros, mulatos, brancos, amarelos, pardos, jornalistas, minorias afins, autoridades e o povo em geral a leitura de "GENES, POVOS E LÍNGUAS", do geneticista italiano Luca Cavalli-Sforza. Com base em análise de DNA de pessoas de todos os continentes, ele afirma e comprova com grande força de argumentação que todo mundo é parente. Somos todos do mesmo tronco. Somos uma grande família. E a áfrica é a terra mãe da humanidade. O conceito de raça baseado na cor da pele é uma tremenda balela. As diferenças físicas existem porque o ser humano começou a migrar e foi se adaptando aos novos climas. Na áfrica a pele escura protege o organismo do sol do equador. O cabelo pixaim é para reter líquidos do suor e refrescar não só a cabeça mas os próprios vasos sanguíneos. Em cem mil anos – ensina o geneticista italiano, Enquanto o negrão ia se afastando de sua terra, o organismo acompanhava as necessidades de adaptação. Quem foi para o norte e se espalhou pela Europa ganhou pele clara para captar melhor a vitamina D proveniente dos raios ultravioletas. O frio forçou a plástica no nariz. As narinas ficaram estreitas para forçar a passagem de ar e aquecê-lo antes da chegada aos pulmões. No oriente quem fez plástica nos olhos dos negrões foi o vento siberiano. Por isto os chineses e todo o povo oriental têm os olhos fechados por uma bolsa gordurosa. Para desviar as correntes de ar geladas e incômodas. Resumindo: não existe raça negra, nem branca. Tampouco amarela. Existe a raça humana. Portanto abaixo os preconceitos. Pele branca é disfarce. Somos uns tremendos negrões que mudamos de cor, formado de nariz e de olhos por puro capricho da natureza. E agora, quem poderá indenizar os insatisfeitos?

quinta-feira, maio 11, 2006

PREVISÕES ÓBVIAS

PREVISÃO 1 - O ex-governador do Rio, Antony Garotinho, em greve de fome há duas semanas, anunciou que vai à convenção do PMDB para disputar a indicação de candidato à presidência da República. VAI DESMAIAR EM FRENTE ÀS CÂMERAS DE TV, para provar que está debilitado. Terá uma saída honrosa para a patuscada em que se meteu. PREVISÃO 2 - O PREÇO DO GÁS VAI AUMENTAR PARA O CONSUMIDOR BRASILEIRO. A Petrobrás, é bom lembrar, é uma estatal de capital aberto. Tem acionistas. O presidente Lula não pode, sozinho, decidir que a empresa ficará com o prejuÍzo do eventual aumento imposto pelo governo boliviano. Lula mente ao dar as garantias de que o gás não aumenta. PREVISÃO 3 - A SELEÇÃO BRASILEIRA VAI DECEPCIONAR NO MUNDIAL.

segunda-feira, maio 08, 2006

INJUSTIÇAS COM LULA

Um fim de semana difícil para o presidente Lula. Abandonado pelo partido, acossado pela PF e esquecido pelos amigos, o ex-dirigente petista Sílvio Pereira resolveu falar. Disse, em longa entrevista ao jornal “O Globo”, que os chefes da quadrilha que assaltou os cofres públicos são os donos do PT. Incluindo aí, e principalmente, o presidente Lula. Não vale. Ninguém deve dar um tiquinho de crédito sequer à nova versão do ex-dirigente petista que nos tempos de vacas gordas, de poder, foi flagrado recebendo um mimo, um modesto Land Rover de setenta mil reais, para traficar influências no Governo. Silvinho Pereira teve a chance de contar tudo à CPI e não o fez. Por que só agora resolveu lembrar de dados e fatos? No domingo à tarde os jornalistas impertinentes, desavisados, pegaram o presidente no lazer e quiseram saber o que ele podia dizer sobre as declarações do ex-secretário geral do PT. A resposta óbvia do presidente é que não sabia de nada, não tinha lido nada, não tinha visto tv e só nesta segunda-feira poderia falar. Não é segredo que o presidente não gosta de ler, tampouco é segredo que ele nunca sabe de nada. Por que, então, a imprensa continua correndo atrás do nada? Pelo visto o presidente também não tem assessores para avisa-lo do que está ocorrendo. E nem amigos. Ou melhor, tem os melhores amigos porque não o aborrecem com estas coisinhas sem nenhuma significância. Ao invés de aborrecer o presidente com perguntas para as quais ele nunca está preparado, o de que precisamos, nós jornalistas, é dar uma contribuição ao país. Incentivar Lula. Presenteá-lo com livros. Faze-lo adquirir o interesse pelas palavras. E alguém precisa dar o primeiro passo. Liguei hoje cedo para Brasília e pedi para agendar uma audiência com Sua Excelência. Não sei se vou conseguir. Ficaram de dar retorno de uma data disponível. Pelo sim, pelo não, estou juntando uns livrinhos já descartados pelo Marcus Felipe Cavalcante, meu neto, de três anos. Livros bem simples, cheios de figurinhas, com até vinte páginas e menos de cem palavras. Estes maravilhosos livros que fazem a criança ter o primeiro contato com a necessidade de pensar e incentivam a imaginação. Ainda bem que o meu neto, com apenas três aninhos, já passeou por um sem número de títulos. Mais de cinqüenta. Separei para a viagem "As coisas preferidas de Margarida"– de Jane Simmons; "A zabumba do quati", "Banho sem chuva", "Baladas e amigos", "Com prazer e alegria" e "Fome danada" – de Ana Maria Machado; "Olha o Olho da Menina" – de Marisa Prado, Ilustrado por Ziraldo; além de outros. Dentre todos, dois chamaram-me bastante a atenção. Um é "Dino Amigo". É a história de três filhotes de dinossauro brasileiros que lutam contra a bruxa Tiranarex. Ao longo da narrativa o livrinho vai passando conhecimentos e dando dicas de ética e ensinando agir do lado do bem. O outro é da ilustradora inglesa Lucy Cousins. Ela resolveu escrever e criou não apenas livros, mas uma série de descobertas. Centrada na personagem Ninoca, uma ratinha branca de focinho cor-de-rosa, a autora incentiva o leitor a ir cada vez mais à frente, para as próxima páginas. A ratinha ganhou dezenas de aventuras bem escritas e com ilustração primorosa: "Ninoca vai dormir", "Ninoca faz aniversário", "Ninoca escova os dentes"... Ninoca... Ninoca e mais Ninoca. A ratinha faz de tudo e o leitor, puxando umas lingüetas nas páginas do livro, faz a ratinha se movimentar pelo cenário de cada história. Um primor para quem precisa de incentivo aos primeiros passos na leitura. O problema é que os livros da Ninoca são um pouco mais caros. Não vou leva-los para o nosso presidente. Meu neto não os liberou. Mas não há de ser nada. Marcos Valério pode providenciar a coleção completa para Lula.

quinta-feira, maio 04, 2006

A DESVALORIZAÇÃO DA MAMONA

Quando menino, em Fortaleza e depois aqui em Teresina, costumava brincar com os parceiros de infância de guerrear. A munição, o fruto da mamoneira. Ou carrapateira, como era conhecido o pé de mamona lá no Ceará. Convivi com a mamona abundante em terrenos baldios e monturos. Mais tarde, no ginásio, outra aproximação.Desta feita culturalmente. Aprendi que o óleo pode ser usado na fabricação de tintas e isolantes, como lubrificante na aeronáutica porque é de baixa temperatura, para o fabrico de cosméticos e drogas farmacêuticas. Serve também de base na fabricação de corantes, anilina, desinfetantes, germicidas, inseticidas, tintas de impressão e vernizes, colas e aderentes, além de nylon e matéria plástica. Mais recentemente uma pesquisa da Universidade de Viçosa garantiu: o óleo de mamona transformado em plástico, sob a ação de reatores nucleares, adquire a resistência do aço, mantendo a leveza da matéria plástica. Mas a notícia de maior impacto para mim, sobre a mamona, é bem outra e tem pouco tempo: o óleo de alta qualidade e qualificação, pela inteligência de alguns privilegiados pesquisadores, pode ser transformado em combustível. Como assim, cara pálida? Reagi de pronto! Quem vai querer embarcar nesta canoa furada, se o azeite de mamona, extraído até de maneira rústica, vale no mercado externo cerca de MIL DÓLARES a tonelada? Quem vai investir em tecnologia cara e sofisticada, em pesquisa, para refinar este azeite, transforma-lo em combustível, cujo preço não alcança os QUINHENTOS DÓLARES a tonelada, no mesmo mercado externo? Fiz esta pergunta para o senador Alberto Silva, que foi o primeiro a trazer para o Piauí as boas novas. “Isto é bobagem”, respondeu ele, com a autoridade de quem passou por outros grandes experimentos científicos, como a máquina de arrancar toco, o navio do sal, a navegabilidade do rio Parnaíba, a inseminação de vermiculita em sementes de feijão, as hortas de telhado, etc. Sem prejuízo, claro, da grande capacidade administrativa de que é dotado. Repeti a pergunta aos assessores do presidente Lula, quando se fez festa para lançar o projeto de plantação de mamona no Piauí. Pediram-me um endereço eletrônico para mandar material provando a viabilidade do projeto questionado por mim. Ainda estou aguardando resposta. Hoje, para nenhuma surpresa minha, acompanhei uma extraordinária reportagem de Marcos Teixeira mostrando que o grandioso projeto com mamonas no Piauí, para produção de biodíesel, fez água. Ou melhor, fez devastação de mata, decepção de agricultores e provavelmente fome de muitas famílias que acreditaram nas promessas mirabolantes do presidente Lula. O mais assustador em tudo é que ainda querem nos enganar. Após a reportagem da TV Clube, apareceu o doutor Sérgio Vilela, Gerente de Relações Internacionais do Estado do Piauí, provavelmente mais um desentendido em mamona, ao vivo, garantindo que o governo vai ajudar as famílias que não conseguirem produzir mamona como estava planejado, fantasiado e prometido. Mas com qual dinheiro, doutor Sérgio? Volto à infância, se preciso. Encho meu patuá de fruto da carrapateira e vou à guerra. Quero preservar os meus investimentos no Estado. Não foi para isto que recolhi e continuo pagando em dia os meus impostos.

sexta-feira, abril 28, 2006

ORAÇÃO PARA O DIA INFELIZ

Cai o dólar, a Petrobrás anuncia com estardalhaço a auto-suficiência em petróleo. E o preço da gasolina vai para cima. Beira os três reais por litro. No fechamento da declaração do Imposto de Renda milhares de brasileiros descobrem que estão trabalhando três meses no ano só para as farras do Estado e os desmandos do Governo. Afora os outros impostos que incidem sobre água, luz telefone, combustíveis, saúde, habitação, alimentação, lazer, bebidas em geral, transporte e o escambau. E o retorno para o cidadão é uma banana. Não falo da fruta. Falo do falo. Ou daquela obscena cena de brandir o punho e o braço no ar. O Globo, numa reportagem espetacular, mostra os deputados pilhando os cofres públicos com notas de combustível. Quinze mil por mês. A mesa da câmara, numa ação rápida, diz que isto não vai mais acontecer. Limita os gastos de gasolina para cada deputado em pouco mais de quatro mil mensais. Mas os quinze mil ficam disponíveis para outras despesas. Os sem-terra e outros movimentos sociais, autodenominados minorias, ao arrepio da lei, fazem passeatas e invadem propriedades privadas e públicas, destroem laboratórios e patrimônios. Punição zero. O PT, parcialmente desmoralizado, ergue-se impávido para apresentar nas próximas eleições uma nova proposta de poder renovado, com o pouco de dignidade que ainda lhe sobra, as mesmas figurinhas, com outras supostas caras novas. Os outros partidos nem isto. São os mesmos candidatos. Estamos órfãos. Queremos nossas mães. Por menos disto há centenas de americanos esquisofrênicos que passam a mão em um rifle e saem atirando por aí.

terça-feira, abril 25, 2006

RECEITA DA MENTIRA

Gulyás é um prato à base de batatas e churrasco de boi, típico da Hungria. Foi incrementado na Rússia, onde virou uma sopa apimentada com carnes de vaca e de porco e um sem número de ingredientes. Ganhou também uma nova pronúncia – Goulash, com a qual se difundiu em toda a Europa e parte da América. Não sei se é servido em alguma parte do Brasil. Provavelmente seja conhecido em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quero trazê-lo para o Piauí como sinônimo de mentira, de enganação. Afinal na culinária já temos a nossa boa e velha Sopa de Trapo, cujos ingredientes são sobras de carnes assadas ou cozidas, misturadas a verduras e legumes, com muita cebola e pimenta de cheiro. E o que teria a ver o Goulash com mentira e enganação? Tudo! É uma sopa saborosíssima, altamente nutritiva, que parece prato ricamente estudado e elaborado, mas que não passa de um apanhado de restos, sobras de ontem e da semana passada, misturadas à invenção da hora, para enganar a fome e o frio. O Goulash piauiense pode misturar no mesmo tacho o aeroporto de São Raimundo Nonato, o Aeroporto Internacional de Parnaíba, o Porto de Luiz Correia, o Metrô de Teresina, as estradas do cerrado, o Projeto Biodíesel, a ponte do Sesquicentenário, o Fome Zero de Guaribas e Acauã. Para temperar podem-se colocar as mudas de Caju do deputado B. Sá e o empréstimo do Banco Rural para a Universidade ligada ao Deputado Átila Lira. E quem não tiver pressa pode esperar por mais três ou quatro meses. Outras mentiras e enganações estão em fase de gestação. E para não me acusarem de apenas provocar água na boca de gulosos e glutões, vai adiante a receita do Goulash abrasileirado que já testei com carnes e ingredientes de primeira, sem enganação. Ganhou elogios dos convidados: INGREDIENTES: Meio quilo de alcatra ou maminha; meio quilo de pernil de porco. 3 cebolas grandes picadas, alho a gosto picado, 100 gramas de molho de tomate, 2 tabletes de caldo de carne. (recomendo usar um de carne e outro de bacon) 1 batata inglesa grande, páprica picante e páprica doce – uma colher de chá de cada uma; sal, cominho e pimenta do reino a gosto, uma taça de vinho tinto seco, um pimentão e pimenta de cheiro daquelas que ardem. MODO DE PREPARO Refogue numa panela grande a cebola o alho com as carnes picadas. Bem refogado, até soltar o suco e antes de começar a fritura. Acrescente o caldo de carne em tabletes diluídos em duas xícaras de água quente, a pimenta do reino o sal e o cominho. Deixe ferver por alguns instantes e depois vá acrescentando os outros ingredientes aleatoriamente. Ou tudo de uma vez... sei lá, usa a criatividade. Reserva só o pimentão e o vinho à parte. O certo é que tem de misturar tudo na mesma panela e deixar cozinhar por 10 a 15 minutos. Agora o segredo: depois do primeiro cozimento tira do fogo e deixa esfriar. Dá outro cozimento de 15 minutos, deixa esfriar. E mais outro cozimento de quinze minutos ou até alcançar o ponto de um caldo grosso e carnes macias. Neste último cozimento coloca no finzinho o pimentão picado e o vinho. Ta pronto o Goulash e bom apetite.

quinta-feira, abril 20, 2006

O MARAFONA OKAMOTO

Quando assumiu a presidência do Sebrae nacional, o amigão do presidente Lula, Paulo Okamoto, deu entrevista ao Bom Dia Brasil, em Brasília. Zileide Silva, que fala cinco idiomas, tem mestrado e doutorado em comunicação e jornalismo, um currículo de fazer inveja a qualquer estrela do jornalismo nacional, foi encarregada da entrevista. A Globo exagerou na dose... Tudo bem. Parece preconceito. Mas Posso explicar mais adiante. A primeira pergunta da repórter Zileide, óbvia mas necessária: “qual é a formação do senhor?" Ao que o vistoso entrevistado, provavelmente achando aquela negra um pouco atrevida, respondeu com orgulho: “minha formação foi a vida!” A resposta abriu-me um riso saudoso. Remeteu-me à infância. Aos conselhos de meu avô: “menino estuda porque a vida só ensina ser malandro ou marafona. A escola é que leva ao bom caminho”. Marafona, no linguajar cearense da época, correspondia a meretriz, que é a mesma coisa que prostituta e agora mais modernamente garota de programa. Claro que era uma visão grosseira, uma forma truculenta de convencimento. Hoje se sabe que até para ser malandro ou prostituta carece ter um pouco de conhecimento. Bom, mas isto são divagações. O fato é que a resposta do senhor supremo do Sebrae me fez ir atrás do que significava ter aprendido com a vida. Descobri que Okamoto fez um primário incompleto. Nenhum preconceito contra quem não teve oportunidade de estudar. Em absoluto. O preconceito é contra o cara que se formou na escola que diploma malandros e marafonas pensar que é mais sábio que o brasileiro comum. O brasileiro que foi para a escola formal. Preconceito à parte, de qualquer forma, faça-se justiça. O homem é escolado. De marafona Paulo Okamoto herdou a mania de dar dinheiro a cafetão. Basta lembrar as contas que pagou do amigão presidente e depois da filha do presidente. Mesmo sem ser solicitado. Com todo respeito ao cidadão Luiz Inácio da Silva que aprendeu com a sua mãezinha sobreviver às próprias expensas.
Os desvios devem ter sido provocados pela faixa presidencial. De malandragem, aí sim, Okamoto entende mais ainda. Senão como explicar que comande, sem contestação, uma instituição que ganhou credibilidade no Brasil e em parte do mundo porque tem um trabalho de técnicos competentes, que ralam para ter aperfeiçoamento em graduação universitária, em especialização, em doutorado e no que mais for necessário? Escolas, claro, reconhecidas pelo MEC.
O Sebrae, como uma instituição bem nascida e educada, vai suportar até quando?
Bem a propósito, vem outra saudade de meu querido avô e suas máximas: “quem muito se abaixa, meu filho, o fundilho aparece”

segunda-feira, abril 17, 2006

UMA ESTRADA DE NINGUÉM

Final do Governo Freitas Neto. O governador estava saindo para desincompatibilizar-se e deixou o vice, Guilherme Melo, para terminar o mandato. O último ato foi festivo, na cidade de Uruçuí. Freitas Neto assinou, com direito a discursos e garantias, a ordem de serviço para construção da estrada Uruçuí X Jerumenha. Acompanhei a solenidade como repórter. Ouvi das lideranças políticas que “finalmente o governador estava atendendo a uma aspiração de mais de vinte anos do povo da região”. Nas cercanias do palanque oficial ouvi de pelo menos dois populares idosos: “...toda eleição é a mesma coisa. Prometem fazer estrada e nada. Duvido que ela seja feita...” Apostei que seria. Vi à saída da cidade um movimento de máquinas intenso e até uns dez quilômetros de terraplenagem. Voltei a Uruçuí seis meses depois. Rodei sobre um bom pedaço de asfalto e o resto lama. Assim mesmo acreditei que a estrada seria feita até o próximo Governo. Mais de dez anos se passaram. Estou perdendo a aposta. Na última sexta-feira tentei ir a Bertolínea, entre Jerumenha e Uruçuí. O máximo que consegui foi chegar ao povoado Barra do Lança. O que vi foi uma cena surrealista: trinta e duas carretas cheias de soja atoladas até o eixo, duas carretas tombadas e a soja abandonada pelos carreteiros. Um número expressivo de carros de passeio impedidos de trafegar. Buracos, ônibus fazendo metade do percurso e passageiros andando de dois a três quilômetros dentro da lama para continuar viagem em outro ônibus lá do outro lado do atoleiro. Procurei vestígios da estrada prometida. Nada! Em Teresina, de volta à civilização, acionei a produção da TV Clube para saber o que estava sendo feito para livrar o prejuízo dos produtores da região e dos carreteiros. No Governo do Estado os diligentes assessores informaram que o problema era do Governo Federal pois ali era parte da BR 343. Uma estrada federal, portanto. No DENIT os diretores que estavam trabalhando nesta segunda-feira, depois do feriado da Semana Santa, informaram que não sabiam de nada e só quem poderia falar sobre o assunto seria o diretor geral que está viajando. Ninguém está nem aí... O Piauí está separado por buracos. O Governo do Estado diz que não tem nada a ver com isto e o Governo Federal, que não devia ter muita coisa a ver com isto, não pode falar. Fica a saudade dos tempos em que campanha eleitoral se fazia percorrendo os municípios de carro. O avião agiliza a visita dos candidatos ao povo mas os cega para os problemas palmo a palmo das estradas.

A MARCHA DA CAPITULAÇÃO

Para atender o conselho do amigo William Tito ____________________________________________ Tenho uma amiga que me acha racional demais. E justifica o seu achismo dizendo que é porque eu não sei rezar. É verdade, em parte. Eu preferia aos jogos infantis às aulas de catecismo. Mas tive tempo de aprender, com tia Palmira, uma solteirona da ordem religiosa Filhas de Maria, a oração que o Pai nos ensinou. O problema é que nunca consigo ser inteiramente feliz e sincero quando vou rezar. A sensação e de estar enganando ao Santo. Mas confesso: tenho uma certa inveja de quem faz tudo por devoção, principalmente naqueles momentos mais desesperadores em que a fé costuma ser linimento. E por que estou pensando nisto agora? Recentemente vi, pela tv, uma multidão de vinte mil pessoas, de vela acesa, na Argentina, em frente ao prédio da Suprema Corte, exigindo uma tomada de posição contra a violência. A imagem, para mim, representou uma declaração de guerra às autoridades constituídas assinada pelo povo. No Brasil, o país da fé, acredita-se muito mais em orações e caminhadas pela paz do que efetivas cobranças. Parece-me sempre uma rendição quando vejo os pretensos líderes comunitários inventando as tais caminhadas, com a massa vestida de branco, portando bandeiras que desonram a pomba de Picasso. E quando essas imensas caminhadas da capitulação ganham bons espaços na mídia – e via de regra sempre ganham, devem se transformar nos melhores programas de humor para a bandidagem. Lembro que dia desses, enquanto o secretário de Segurança do Estado dava uma entrevista ao vivo na TV, garantindo que a violência havia diminuído nos últimos três meses, e mostrava números, um assalto a uma agência bancária estava acontecendo bem real, diga-se de passagem. E se mortes e feridos não houve é porque nós, os cidadãos comuns, já aprendemos a nos comportar direitinho, como aconselham os especialistas: baixar a cabeça e dizer SIM SENHOR para o bandido. Ou será que naquele momento alguém tinha reza forte e muita fé? Pois foi atendido no pedido para a polícia não atrapalhar. *Escrita em 07/2005

sexta-feira, abril 07, 2006

ABAIXO A DITADURA DAS MÁQUINAS

Uma explicação: Tirei dez dias de folga, por conta de férias que nunca tenho paciência para gozá-las. O blog ficou desatualizado e vai permanecer assim até o final da próxima semana. Quando me afasto da redação sou daqueles deixam o mundo da comunicação ao largo. De qualquer forma estou postando uma crônica antiga, do final do ano passado, mas inédita.
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Viva a repórter Laura Caproglione, da Folha de São Paulo. Esta moça, em uma tacada só, nos convenceu de que ir ao médico periodicamente é besteira. E o melhor: ter plano de saúde, com gastos anuais de R$ 1.500,00 em média, só serve para solicitar parte em devolução do Imposto de Renda. Os exames caros não valem absolutamente nada. Mas não é a Laura quem está nos garantindo isto. São os médicos americanos, os discípulos daqueles que inventaram o tal check up como forma de prevenir doenças. Calma, eu explico, conforme nos explicou a Laura. Está lá na matéria da Laura: médicos e estatísticos fizeram estudos, cruzaram dados, ouviram pacientes, pesquisaram e descobriram que a grande maioria dos sofisticados exames, em máquinas bonitas, ligadas a computador, não serve de nada. Aliás, eu até arrisco dizer que quanto mais pomposo o nome do exame, mais inócuo ele poderia ser. Os exames receberam notas e fui verificar os que já fiz. Descobri desolado que são os de mais baixa avaliação. Estamos falando de procedimentos para detectar o câncer precocemente. Viu que enunciado bonito? E que tal o exame de Colonoscopia? Pois essa coisa aí consiste em mandar o paciente para uma clínica, depois de passar vinte e quatro horas sem comer nada, só bebendo chá. Em lá chegando, depois de umas dez sessões de lavagem intestinal, enfiam-lhe, lá nele, um tubo com contraste para fazer radiografias, ou uma câmera de vídeo. Isto tudo via... como diria para não chocá-los... via anal. Como sei de tudo isto? Imagina! É só lembrar aquela propaganda que diz “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”. E sabem quais os exames que ganharam menção honrosa nas pesquisas, segundo a Laura? O Papanicolau, que detecta o câncer no colo do útero, e a medição de pressão arterial, que descobre se nós, pobres mortais, corremos algum risco de doença cardiovascular-cerebral. Acho que é isto mesmo! Pois são os mais simples e rápidos. Sem contar que mede a pressão sem sair de casa. A reportagem da Laura Caproglione diz também que os exames de tomografia computadorizada, raio-X de tórax, análise de escarro para detectar o câncer de pulmão receberam nota I, ou seja, a nota mais baixa. Como nota intermediária, nota D, estão a ultra-sonografia transvaginal para detectar o câncer de ovário e o conjunto de eletrocardiograma de repouso, teste ergométrico ou tomografia computadorizada para doenças coronárias. Será mesmo que já gastamos tanto dinheiro e perdemos tanto tempo só para garantir o sustento dos inventores dos exames? Se é assim, triste descoberta. Pelo sim, pelo não, estamos pensando seriamente em substituir um tal de PSI pelo simples Exame de Inclusão Digital* que faríamos na próxima semana. Nem sabemos se ele foi avaliado pela agência americana em cuidados com a saúde. O EID – Exame de Inclusão Digital* é bem menos complexo que o de Colonoscopia e serve, segundo os médicos, para detectar precocemente o câncer de próstata. E para quem não sabe ele tem um nome mais simples, que não assusta tanto: exame de toque retal. Pense num toque profundo! *eufemismo do autor para esquecer o constrangimento.

quinta-feira, março 30, 2006

"SEMOS DOTÔ PORQUE LUTEMOS"

Já está na Câmara dos Deputados, com pedido de urgência urgentíssima para votação, o Projeto de Lei nº 73, de 1999, que reserva 50% das vagas nas universidades públicas a estudantes que cursaram o ensino médio em escolas da rede pública. Deve ir a plenário para votação em 15 dias. E já na próxima semana será tema de audiência pública, na qual os especialistas terão voz. Eu sou um especialista em ser do contra. Deveria ser ouvido. Nos últimos anos os cabeças pensantes do país, provavelmente de olho no voto, estão sempre a reboque dos grupos sociais autodenominados minorias. Em todo o mundo universidade é escola de excelência, lugar dos excelentes, dos que ralaram, estudaram, aprenderam e provaram que estão preparados para um ensino superior. No Brasil o simples fato de ter a pele negra já é motivo para guardar vaga em uma faculdade. Ser índio também dá direito. E agora, gradualmente, quem sai da escola pública falida vai ocupar 50 por cento das vagas de excelência. É, de certa forma, um prêmio à omissão do poder público. Os governos federal, estadual e municipal gastam bilhões de reais com escolas, com professores ineficientes, com um sistema de ensino superado e com raras exceções alguma escola do ensino médio tem bom funcionamento. Isto não está em discussão. Foi mais fácil estabelecer um critério de valor para entrar na universidade: sair de escola pública gratuita. Quem for esperto, para não dizer desonesto, vai dar um jeitinho para estudar em boas escolas particulares e na hora H aparecer com currículo de escola pública para ganhar pontos e ingressar no ensino superior. Alguém duvida? Em dez anos, quando as minorias se derem conta, vão perceber que lutaram na causa errada. Vão se perguntar se teria sido tão difícil assim cobrar ensino médio de qualidade, ao invés de pular a janela da universidade na marra. Entrar na universidade com pouca qualificação significa quase sempre graduação deficitária. Quem não teve condições de cursar, no ensino médio, uma escola particular, mesmo sem pagar mensalidade da universidade pública vai ter dinheiro para investir em livros caríssimos? Sem falar que nem só de livros didático se faz um bom doutor. Há toda uma parafernália de informação, de leitura especializada, de investimento em tecnologias que estão sempre se renovando. O mercado de trabalho, no Brasil, tem uma imensa necessidade de tecnólogos, que podem se formar em escolas de menor custo. Infelizmente o que dá voto é oferecer à galera, para usar uma linguagem jovem, um diploma de questionável graduação, produzindo uma massa de “formados” satisfeitos com a oportunidade e infelizes pela falta de emprego. O mercado, é sempre bom lembrar, não se engana com diplomas. Ganha a vaga quem realmente provar que está devidamente qualificado.

quarta-feira, março 29, 2006

O NOVO MAGO DA ECONOMIA

O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu fazendo uma promessa de magia: levar o Brasil a uma taxa de crescimento entre 4 e cinco por cento este ano. Estamos em março. Ou melhor, iniciando o segundo trimestre do ano de 2006. Qualquer menininho de 16 anos, que viu na escola as primeiras noções de economia, sabe que o crescimento não é passe de mágica. É trabalho, é investimento, é capacidade de competir, é ter receita maior que despesa. Nunca é demais recordar que o Brasil acabou de enfrentar uma crise de energia elétrica. As dificuldades foram vencidas compulsoriamente e de lá para cá nenhum grande investimento foi feito no setor, que possibilite pendurar pelo menos uma indústria de médio porte na rede energética. Até o programa que deveria aumentar a capacidade de Itaipú está sob suspeita de atolamento em propina. No setor de transporte o melhor investimento foi recente. Tapar os buraquinhos das estradas, que ressurgiram. Não há nenhum programa de construção de novas rodovias, de hidrovias ou ferrovias, a não ser discursos de possibilidades. Se alguma coisa começasse hoje dificilmente ficaria concluída nos nove meses restantes do ano. As taxas de juros que poderiam ser um atrativo para motivar empréstimos a empreendedores só beneficiam aos especuladores. Não se conhece nenhum empresário, a não ser um grande suicida econômico, que se atreva trabalhar com dinheiro bancário para ter lucratividade negativa. Aliás quem for esperto no Brasil vai é trocar a atividade empresariam pela de investidor no mercado de capital. E como falar em crescimento sem estimular o consumo interno, que possibilite maior demanda para a indústria e o comércio? Como consumir se a taxa de desemprego oscila de estável para maior, os salários estão achatados e etc... etc... etc? Pelo visto a economia do Brasil vai se sustentar nos mesmos pilares do Palocci: estabilidade da economia internacional, pagamento adiantado de algumas parcelinhas da dívida externa e um bom discurso interno para dizer que se não pioramos tá tudo muito bão.

terça-feira, março 28, 2006

LULA: O SUPERDOTADO

Em meio ao turbilhão de denúncias de corrupção envolvendo figuras até então insuspeitas do PT, auxiliares próximos, amigos, filhos, irmãos e compadres do Presidente Lula, a economia do País não deu nenhum sinal de fraqueza. A não ser o fato de que está quase parada, crescendo cinqüenta por cento menos que o resto do mundo. Percebendo isto, que todo o resto está contaminado e a economia está à salvo, os propagandistas e os homens de marketing do presidente agarraram-se logo à questão. Ouve-se, repetidamente, desde quando começou a crise, que a economia não é decisão do Palocci, mas do presidente. Agora mesmo, com a troca de ministros, Mantega assumiu ouvindo que foi escolhido, entre os vários nomes, porque é muito amigo de Lula. Em outras palavras: é mais fácil obedecer as ordens e seguir as sábias orientações macroeconômicas do ex-operário. Todos os petistas estão treinados para repetir o jargão. Hoje mesmo, no Piauí TV do meio dia, na TV Clube, o governador Wellington Dias exercitou a nova palavra de ordem: “O Lula é um superdotado, que tem uma capacidade de entender sobre todo o arcabouço do projeto que é desenvolvido no Brasil. E qualquer um que esteja sob seu comando irá fazer o projeto continuar.” Entenda-se superdotado como referência à inteligência, à mente, à cabeça. Sem dúvida que o presidente entende sobre o arcabouço do projeto que é desenvolvido, principalmente o projeto de reeleição. A economia vai bem? É ele quem está à frente. O que não deu certo, o que é imoral, anormal, ele não viu e não sabe de nada.