sexta-feira, abril 28, 2006

ORAÇÃO PARA O DIA INFELIZ

Cai o dólar, a Petrobrás anuncia com estardalhaço a auto-suficiência em petróleo. E o preço da gasolina vai para cima. Beira os três reais por litro. No fechamento da declaração do Imposto de Renda milhares de brasileiros descobrem que estão trabalhando três meses no ano só para as farras do Estado e os desmandos do Governo. Afora os outros impostos que incidem sobre água, luz telefone, combustíveis, saúde, habitação, alimentação, lazer, bebidas em geral, transporte e o escambau. E o retorno para o cidadão é uma banana. Não falo da fruta. Falo do falo. Ou daquela obscena cena de brandir o punho e o braço no ar. O Globo, numa reportagem espetacular, mostra os deputados pilhando os cofres públicos com notas de combustível. Quinze mil por mês. A mesa da câmara, numa ação rápida, diz que isto não vai mais acontecer. Limita os gastos de gasolina para cada deputado em pouco mais de quatro mil mensais. Mas os quinze mil ficam disponíveis para outras despesas. Os sem-terra e outros movimentos sociais, autodenominados minorias, ao arrepio da lei, fazem passeatas e invadem propriedades privadas e públicas, destroem laboratórios e patrimônios. Punição zero. O PT, parcialmente desmoralizado, ergue-se impávido para apresentar nas próximas eleições uma nova proposta de poder renovado, com o pouco de dignidade que ainda lhe sobra, as mesmas figurinhas, com outras supostas caras novas. Os outros partidos nem isto. São os mesmos candidatos. Estamos órfãos. Queremos nossas mães. Por menos disto há centenas de americanos esquisofrênicos que passam a mão em um rifle e saem atirando por aí.

terça-feira, abril 25, 2006

RECEITA DA MENTIRA

Gulyás é um prato à base de batatas e churrasco de boi, típico da Hungria. Foi incrementado na Rússia, onde virou uma sopa apimentada com carnes de vaca e de porco e um sem número de ingredientes. Ganhou também uma nova pronúncia – Goulash, com a qual se difundiu em toda a Europa e parte da América. Não sei se é servido em alguma parte do Brasil. Provavelmente seja conhecido em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quero trazê-lo para o Piauí como sinônimo de mentira, de enganação. Afinal na culinária já temos a nossa boa e velha Sopa de Trapo, cujos ingredientes são sobras de carnes assadas ou cozidas, misturadas a verduras e legumes, com muita cebola e pimenta de cheiro. E o que teria a ver o Goulash com mentira e enganação? Tudo! É uma sopa saborosíssima, altamente nutritiva, que parece prato ricamente estudado e elaborado, mas que não passa de um apanhado de restos, sobras de ontem e da semana passada, misturadas à invenção da hora, para enganar a fome e o frio. O Goulash piauiense pode misturar no mesmo tacho o aeroporto de São Raimundo Nonato, o Aeroporto Internacional de Parnaíba, o Porto de Luiz Correia, o Metrô de Teresina, as estradas do cerrado, o Projeto Biodíesel, a ponte do Sesquicentenário, o Fome Zero de Guaribas e Acauã. Para temperar podem-se colocar as mudas de Caju do deputado B. Sá e o empréstimo do Banco Rural para a Universidade ligada ao Deputado Átila Lira. E quem não tiver pressa pode esperar por mais três ou quatro meses. Outras mentiras e enganações estão em fase de gestação. E para não me acusarem de apenas provocar água na boca de gulosos e glutões, vai adiante a receita do Goulash abrasileirado que já testei com carnes e ingredientes de primeira, sem enganação. Ganhou elogios dos convidados: INGREDIENTES: Meio quilo de alcatra ou maminha; meio quilo de pernil de porco. 3 cebolas grandes picadas, alho a gosto picado, 100 gramas de molho de tomate, 2 tabletes de caldo de carne. (recomendo usar um de carne e outro de bacon) 1 batata inglesa grande, páprica picante e páprica doce – uma colher de chá de cada uma; sal, cominho e pimenta do reino a gosto, uma taça de vinho tinto seco, um pimentão e pimenta de cheiro daquelas que ardem. MODO DE PREPARO Refogue numa panela grande a cebola o alho com as carnes picadas. Bem refogado, até soltar o suco e antes de começar a fritura. Acrescente o caldo de carne em tabletes diluídos em duas xícaras de água quente, a pimenta do reino o sal e o cominho. Deixe ferver por alguns instantes e depois vá acrescentando os outros ingredientes aleatoriamente. Ou tudo de uma vez... sei lá, usa a criatividade. Reserva só o pimentão e o vinho à parte. O certo é que tem de misturar tudo na mesma panela e deixar cozinhar por 10 a 15 minutos. Agora o segredo: depois do primeiro cozimento tira do fogo e deixa esfriar. Dá outro cozimento de 15 minutos, deixa esfriar. E mais outro cozimento de quinze minutos ou até alcançar o ponto de um caldo grosso e carnes macias. Neste último cozimento coloca no finzinho o pimentão picado e o vinho. Ta pronto o Goulash e bom apetite.

quinta-feira, abril 20, 2006

O MARAFONA OKAMOTO

Quando assumiu a presidência do Sebrae nacional, o amigão do presidente Lula, Paulo Okamoto, deu entrevista ao Bom Dia Brasil, em Brasília. Zileide Silva, que fala cinco idiomas, tem mestrado e doutorado em comunicação e jornalismo, um currículo de fazer inveja a qualquer estrela do jornalismo nacional, foi encarregada da entrevista. A Globo exagerou na dose... Tudo bem. Parece preconceito. Mas Posso explicar mais adiante. A primeira pergunta da repórter Zileide, óbvia mas necessária: “qual é a formação do senhor?" Ao que o vistoso entrevistado, provavelmente achando aquela negra um pouco atrevida, respondeu com orgulho: “minha formação foi a vida!” A resposta abriu-me um riso saudoso. Remeteu-me à infância. Aos conselhos de meu avô: “menino estuda porque a vida só ensina ser malandro ou marafona. A escola é que leva ao bom caminho”. Marafona, no linguajar cearense da época, correspondia a meretriz, que é a mesma coisa que prostituta e agora mais modernamente garota de programa. Claro que era uma visão grosseira, uma forma truculenta de convencimento. Hoje se sabe que até para ser malandro ou prostituta carece ter um pouco de conhecimento. Bom, mas isto são divagações. O fato é que a resposta do senhor supremo do Sebrae me fez ir atrás do que significava ter aprendido com a vida. Descobri que Okamoto fez um primário incompleto. Nenhum preconceito contra quem não teve oportunidade de estudar. Em absoluto. O preconceito é contra o cara que se formou na escola que diploma malandros e marafonas pensar que é mais sábio que o brasileiro comum. O brasileiro que foi para a escola formal. Preconceito à parte, de qualquer forma, faça-se justiça. O homem é escolado. De marafona Paulo Okamoto herdou a mania de dar dinheiro a cafetão. Basta lembrar as contas que pagou do amigão presidente e depois da filha do presidente. Mesmo sem ser solicitado. Com todo respeito ao cidadão Luiz Inácio da Silva que aprendeu com a sua mãezinha sobreviver às próprias expensas.
Os desvios devem ter sido provocados pela faixa presidencial. De malandragem, aí sim, Okamoto entende mais ainda. Senão como explicar que comande, sem contestação, uma instituição que ganhou credibilidade no Brasil e em parte do mundo porque tem um trabalho de técnicos competentes, que ralam para ter aperfeiçoamento em graduação universitária, em especialização, em doutorado e no que mais for necessário? Escolas, claro, reconhecidas pelo MEC.
O Sebrae, como uma instituição bem nascida e educada, vai suportar até quando?
Bem a propósito, vem outra saudade de meu querido avô e suas máximas: “quem muito se abaixa, meu filho, o fundilho aparece”

segunda-feira, abril 17, 2006

UMA ESTRADA DE NINGUÉM

Final do Governo Freitas Neto. O governador estava saindo para desincompatibilizar-se e deixou o vice, Guilherme Melo, para terminar o mandato. O último ato foi festivo, na cidade de Uruçuí. Freitas Neto assinou, com direito a discursos e garantias, a ordem de serviço para construção da estrada Uruçuí X Jerumenha. Acompanhei a solenidade como repórter. Ouvi das lideranças políticas que “finalmente o governador estava atendendo a uma aspiração de mais de vinte anos do povo da região”. Nas cercanias do palanque oficial ouvi de pelo menos dois populares idosos: “...toda eleição é a mesma coisa. Prometem fazer estrada e nada. Duvido que ela seja feita...” Apostei que seria. Vi à saída da cidade um movimento de máquinas intenso e até uns dez quilômetros de terraplenagem. Voltei a Uruçuí seis meses depois. Rodei sobre um bom pedaço de asfalto e o resto lama. Assim mesmo acreditei que a estrada seria feita até o próximo Governo. Mais de dez anos se passaram. Estou perdendo a aposta. Na última sexta-feira tentei ir a Bertolínea, entre Jerumenha e Uruçuí. O máximo que consegui foi chegar ao povoado Barra do Lança. O que vi foi uma cena surrealista: trinta e duas carretas cheias de soja atoladas até o eixo, duas carretas tombadas e a soja abandonada pelos carreteiros. Um número expressivo de carros de passeio impedidos de trafegar. Buracos, ônibus fazendo metade do percurso e passageiros andando de dois a três quilômetros dentro da lama para continuar viagem em outro ônibus lá do outro lado do atoleiro. Procurei vestígios da estrada prometida. Nada! Em Teresina, de volta à civilização, acionei a produção da TV Clube para saber o que estava sendo feito para livrar o prejuízo dos produtores da região e dos carreteiros. No Governo do Estado os diligentes assessores informaram que o problema era do Governo Federal pois ali era parte da BR 343. Uma estrada federal, portanto. No DENIT os diretores que estavam trabalhando nesta segunda-feira, depois do feriado da Semana Santa, informaram que não sabiam de nada e só quem poderia falar sobre o assunto seria o diretor geral que está viajando. Ninguém está nem aí... O Piauí está separado por buracos. O Governo do Estado diz que não tem nada a ver com isto e o Governo Federal, que não devia ter muita coisa a ver com isto, não pode falar. Fica a saudade dos tempos em que campanha eleitoral se fazia percorrendo os municípios de carro. O avião agiliza a visita dos candidatos ao povo mas os cega para os problemas palmo a palmo das estradas.

A MARCHA DA CAPITULAÇÃO

Para atender o conselho do amigo William Tito ____________________________________________ Tenho uma amiga que me acha racional demais. E justifica o seu achismo dizendo que é porque eu não sei rezar. É verdade, em parte. Eu preferia aos jogos infantis às aulas de catecismo. Mas tive tempo de aprender, com tia Palmira, uma solteirona da ordem religiosa Filhas de Maria, a oração que o Pai nos ensinou. O problema é que nunca consigo ser inteiramente feliz e sincero quando vou rezar. A sensação e de estar enganando ao Santo. Mas confesso: tenho uma certa inveja de quem faz tudo por devoção, principalmente naqueles momentos mais desesperadores em que a fé costuma ser linimento. E por que estou pensando nisto agora? Recentemente vi, pela tv, uma multidão de vinte mil pessoas, de vela acesa, na Argentina, em frente ao prédio da Suprema Corte, exigindo uma tomada de posição contra a violência. A imagem, para mim, representou uma declaração de guerra às autoridades constituídas assinada pelo povo. No Brasil, o país da fé, acredita-se muito mais em orações e caminhadas pela paz do que efetivas cobranças. Parece-me sempre uma rendição quando vejo os pretensos líderes comunitários inventando as tais caminhadas, com a massa vestida de branco, portando bandeiras que desonram a pomba de Picasso. E quando essas imensas caminhadas da capitulação ganham bons espaços na mídia – e via de regra sempre ganham, devem se transformar nos melhores programas de humor para a bandidagem. Lembro que dia desses, enquanto o secretário de Segurança do Estado dava uma entrevista ao vivo na TV, garantindo que a violência havia diminuído nos últimos três meses, e mostrava números, um assalto a uma agência bancária estava acontecendo bem real, diga-se de passagem. E se mortes e feridos não houve é porque nós, os cidadãos comuns, já aprendemos a nos comportar direitinho, como aconselham os especialistas: baixar a cabeça e dizer SIM SENHOR para o bandido. Ou será que naquele momento alguém tinha reza forte e muita fé? Pois foi atendido no pedido para a polícia não atrapalhar. *Escrita em 07/2005

sexta-feira, abril 07, 2006

ABAIXO A DITADURA DAS MÁQUINAS

Uma explicação: Tirei dez dias de folga, por conta de férias que nunca tenho paciência para gozá-las. O blog ficou desatualizado e vai permanecer assim até o final da próxima semana. Quando me afasto da redação sou daqueles deixam o mundo da comunicação ao largo. De qualquer forma estou postando uma crônica antiga, do final do ano passado, mas inédita.
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Viva a repórter Laura Caproglione, da Folha de São Paulo. Esta moça, em uma tacada só, nos convenceu de que ir ao médico periodicamente é besteira. E o melhor: ter plano de saúde, com gastos anuais de R$ 1.500,00 em média, só serve para solicitar parte em devolução do Imposto de Renda. Os exames caros não valem absolutamente nada. Mas não é a Laura quem está nos garantindo isto. São os médicos americanos, os discípulos daqueles que inventaram o tal check up como forma de prevenir doenças. Calma, eu explico, conforme nos explicou a Laura. Está lá na matéria da Laura: médicos e estatísticos fizeram estudos, cruzaram dados, ouviram pacientes, pesquisaram e descobriram que a grande maioria dos sofisticados exames, em máquinas bonitas, ligadas a computador, não serve de nada. Aliás, eu até arrisco dizer que quanto mais pomposo o nome do exame, mais inócuo ele poderia ser. Os exames receberam notas e fui verificar os que já fiz. Descobri desolado que são os de mais baixa avaliação. Estamos falando de procedimentos para detectar o câncer precocemente. Viu que enunciado bonito? E que tal o exame de Colonoscopia? Pois essa coisa aí consiste em mandar o paciente para uma clínica, depois de passar vinte e quatro horas sem comer nada, só bebendo chá. Em lá chegando, depois de umas dez sessões de lavagem intestinal, enfiam-lhe, lá nele, um tubo com contraste para fazer radiografias, ou uma câmera de vídeo. Isto tudo via... como diria para não chocá-los... via anal. Como sei de tudo isto? Imagina! É só lembrar aquela propaganda que diz “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”. E sabem quais os exames que ganharam menção honrosa nas pesquisas, segundo a Laura? O Papanicolau, que detecta o câncer no colo do útero, e a medição de pressão arterial, que descobre se nós, pobres mortais, corremos algum risco de doença cardiovascular-cerebral. Acho que é isto mesmo! Pois são os mais simples e rápidos. Sem contar que mede a pressão sem sair de casa. A reportagem da Laura Caproglione diz também que os exames de tomografia computadorizada, raio-X de tórax, análise de escarro para detectar o câncer de pulmão receberam nota I, ou seja, a nota mais baixa. Como nota intermediária, nota D, estão a ultra-sonografia transvaginal para detectar o câncer de ovário e o conjunto de eletrocardiograma de repouso, teste ergométrico ou tomografia computadorizada para doenças coronárias. Será mesmo que já gastamos tanto dinheiro e perdemos tanto tempo só para garantir o sustento dos inventores dos exames? Se é assim, triste descoberta. Pelo sim, pelo não, estamos pensando seriamente em substituir um tal de PSI pelo simples Exame de Inclusão Digital* que faríamos na próxima semana. Nem sabemos se ele foi avaliado pela agência americana em cuidados com a saúde. O EID – Exame de Inclusão Digital* é bem menos complexo que o de Colonoscopia e serve, segundo os médicos, para detectar precocemente o câncer de próstata. E para quem não sabe ele tem um nome mais simples, que não assusta tanto: exame de toque retal. Pense num toque profundo! *eufemismo do autor para esquecer o constrangimento.

quinta-feira, março 30, 2006

"SEMOS DOTÔ PORQUE LUTEMOS"

Já está na Câmara dos Deputados, com pedido de urgência urgentíssima para votação, o Projeto de Lei nº 73, de 1999, que reserva 50% das vagas nas universidades públicas a estudantes que cursaram o ensino médio em escolas da rede pública. Deve ir a plenário para votação em 15 dias. E já na próxima semana será tema de audiência pública, na qual os especialistas terão voz. Eu sou um especialista em ser do contra. Deveria ser ouvido. Nos últimos anos os cabeças pensantes do país, provavelmente de olho no voto, estão sempre a reboque dos grupos sociais autodenominados minorias. Em todo o mundo universidade é escola de excelência, lugar dos excelentes, dos que ralaram, estudaram, aprenderam e provaram que estão preparados para um ensino superior. No Brasil o simples fato de ter a pele negra já é motivo para guardar vaga em uma faculdade. Ser índio também dá direito. E agora, gradualmente, quem sai da escola pública falida vai ocupar 50 por cento das vagas de excelência. É, de certa forma, um prêmio à omissão do poder público. Os governos federal, estadual e municipal gastam bilhões de reais com escolas, com professores ineficientes, com um sistema de ensino superado e com raras exceções alguma escola do ensino médio tem bom funcionamento. Isto não está em discussão. Foi mais fácil estabelecer um critério de valor para entrar na universidade: sair de escola pública gratuita. Quem for esperto, para não dizer desonesto, vai dar um jeitinho para estudar em boas escolas particulares e na hora H aparecer com currículo de escola pública para ganhar pontos e ingressar no ensino superior. Alguém duvida? Em dez anos, quando as minorias se derem conta, vão perceber que lutaram na causa errada. Vão se perguntar se teria sido tão difícil assim cobrar ensino médio de qualidade, ao invés de pular a janela da universidade na marra. Entrar na universidade com pouca qualificação significa quase sempre graduação deficitária. Quem não teve condições de cursar, no ensino médio, uma escola particular, mesmo sem pagar mensalidade da universidade pública vai ter dinheiro para investir em livros caríssimos? Sem falar que nem só de livros didático se faz um bom doutor. Há toda uma parafernália de informação, de leitura especializada, de investimento em tecnologias que estão sempre se renovando. O mercado de trabalho, no Brasil, tem uma imensa necessidade de tecnólogos, que podem se formar em escolas de menor custo. Infelizmente o que dá voto é oferecer à galera, para usar uma linguagem jovem, um diploma de questionável graduação, produzindo uma massa de “formados” satisfeitos com a oportunidade e infelizes pela falta de emprego. O mercado, é sempre bom lembrar, não se engana com diplomas. Ganha a vaga quem realmente provar que está devidamente qualificado.

quarta-feira, março 29, 2006

O NOVO MAGO DA ECONOMIA

O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu fazendo uma promessa de magia: levar o Brasil a uma taxa de crescimento entre 4 e cinco por cento este ano. Estamos em março. Ou melhor, iniciando o segundo trimestre do ano de 2006. Qualquer menininho de 16 anos, que viu na escola as primeiras noções de economia, sabe que o crescimento não é passe de mágica. É trabalho, é investimento, é capacidade de competir, é ter receita maior que despesa. Nunca é demais recordar que o Brasil acabou de enfrentar uma crise de energia elétrica. As dificuldades foram vencidas compulsoriamente e de lá para cá nenhum grande investimento foi feito no setor, que possibilite pendurar pelo menos uma indústria de médio porte na rede energética. Até o programa que deveria aumentar a capacidade de Itaipú está sob suspeita de atolamento em propina. No setor de transporte o melhor investimento foi recente. Tapar os buraquinhos das estradas, que ressurgiram. Não há nenhum programa de construção de novas rodovias, de hidrovias ou ferrovias, a não ser discursos de possibilidades. Se alguma coisa começasse hoje dificilmente ficaria concluída nos nove meses restantes do ano. As taxas de juros que poderiam ser um atrativo para motivar empréstimos a empreendedores só beneficiam aos especuladores. Não se conhece nenhum empresário, a não ser um grande suicida econômico, que se atreva trabalhar com dinheiro bancário para ter lucratividade negativa. Aliás quem for esperto no Brasil vai é trocar a atividade empresariam pela de investidor no mercado de capital. E como falar em crescimento sem estimular o consumo interno, que possibilite maior demanda para a indústria e o comércio? Como consumir se a taxa de desemprego oscila de estável para maior, os salários estão achatados e etc... etc... etc? Pelo visto a economia do Brasil vai se sustentar nos mesmos pilares do Palocci: estabilidade da economia internacional, pagamento adiantado de algumas parcelinhas da dívida externa e um bom discurso interno para dizer que se não pioramos tá tudo muito bão.

terça-feira, março 28, 2006

LULA: O SUPERDOTADO

Em meio ao turbilhão de denúncias de corrupção envolvendo figuras até então insuspeitas do PT, auxiliares próximos, amigos, filhos, irmãos e compadres do Presidente Lula, a economia do País não deu nenhum sinal de fraqueza. A não ser o fato de que está quase parada, crescendo cinqüenta por cento menos que o resto do mundo. Percebendo isto, que todo o resto está contaminado e a economia está à salvo, os propagandistas e os homens de marketing do presidente agarraram-se logo à questão. Ouve-se, repetidamente, desde quando começou a crise, que a economia não é decisão do Palocci, mas do presidente. Agora mesmo, com a troca de ministros, Mantega assumiu ouvindo que foi escolhido, entre os vários nomes, porque é muito amigo de Lula. Em outras palavras: é mais fácil obedecer as ordens e seguir as sábias orientações macroeconômicas do ex-operário. Todos os petistas estão treinados para repetir o jargão. Hoje mesmo, no Piauí TV do meio dia, na TV Clube, o governador Wellington Dias exercitou a nova palavra de ordem: “O Lula é um superdotado, que tem uma capacidade de entender sobre todo o arcabouço do projeto que é desenvolvido no Brasil. E qualquer um que esteja sob seu comando irá fazer o projeto continuar.” Entenda-se superdotado como referência à inteligência, à mente, à cabeça. Sem dúvida que o presidente entende sobre o arcabouço do projeto que é desenvolvido, principalmente o projeto de reeleição. A economia vai bem? É ele quem está à frente. O que não deu certo, o que é imoral, anormal, ele não viu e não sabe de nada.

segunda-feira, março 27, 2006

DEMISSÃO OU CADEIA?

O presidente da CEF, Jorge Mattoso, está prestando depoimento agora à tarde na PF. Deve revelar, ou dar uma desculpa esfarrapada, de quem foi a decisão e a ordem para a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o piauiense que colocou a corda no pescoço do ministro Palocci e o presidente Lula está demorando chutar o banquinho. Um consultor de Mattoso já teria dito à PF que o extrato do caseiro foi parar no gabinete do chefe. A mídia está toda aguardando que o todo-poderoso da CEF infle o peito e diga que está pedindo demissão. Tem uma parte decepcionada porque o presidente Lula ainda não o demitiu. Mas o que deve se esperar mesmo é a ordem de prisão para os culpados. Os apressados petistas que colocaram o caseiro na mira do linchamento moral, querendo transformá-lo em bandido para salvar a pele do chefe Palocci, cometeram um crime. A entrada e impressão do extrato da conta poupança do caseiro, sem autorização, para usar uma expressão jurídica, configura violação da lei do sigilo - Lei nr. 105/2001, cuja pena prevista é de um a quatro anos de cadeia.

sábado, março 25, 2006

AS PROFECIAS DE PALOCCI

Vimos ontem, no Jornal da Globo, o ministro Palocci falando e falante, depois que foi confrontado pelo caseiro Francenildo. Falou de economia, disse que o Brasil está navegando em céu de brigadeiro e reclamou: “é incrível que a economia esteja tão bem e eu, o ministro da Fazenda, esteja no terceiro ou quarto círculo do Inferno de Dante”. Opa! Ele disse terceiro ou quarto círculo do Inferno de Dante. Vamos ver o que isto significa. Terceiro Círculo – É o local no inferno, segundo a visão de Dante Alighieri, para onde são mandados aqueles que cometem o pecado da gula. O ministro realmente tem uma aparência untuosa, de fartura alimentar. Se bem que segundo o breve depoimento do caseiro o ministro tem outras gulas. Mas é bom ver que no Terceiro Círculo do Inferno de Dante também tem espaço para profecias. Ciacco, um político de Florença que está no inferno condenado pela gula, diz o que vai acontecer com a sua cidade: “Depois da paz, haverá guerra e sangue... - relatou Ciacco - ...depois de três sóis, com a ajuda daquele que agora parece estar dos dois lados, voltarão ao poder, e por longos anos manterão os outros afastados, por mais que implorem ou chorem.” Trazendo para a atualidade é fácil saber quem voltará ao poder e quem será afastado. O Quarto Círculo do Inferno é o da Avareza. E deve combinar bem com Palocci. Basta comparar a passagem descrita por Dante com algumas notícias de jornais dos últimos anos. Vamos à passagem de Dante Alighieri: “Aproveitamos, então, para descer pela beira que contorna o quarto círculo. Lá vi mais almas que em todos os círculos precedentes. Estavam organizadas em dois grupos que se enfrentavam, com os peitos nus, rolando grandes pesos em sentidos contrários até colidirem uns com os outros. Após o choque um grupo gritava "por que poupas?". O outro gritava "por que gastas?". Depois do choque seguiam em sentido contrário até se encontrarem novamente, do outro lado do círculo. E assim continuavam por toda a eternidade.” Qualquer comparação com o PT seria mera coincidência.

sexta-feira, março 24, 2006

ENCONTREI MEU ÍDOLO

Acabei de receber de volta o computador que me fez muita falta desde domingo à noite. Uma chuvarada, com raios e trovões, segundo os técnicos, motivou a queima de uma certa placa de rede. É incrível descobrir que em meio a tanta tecnologia isto ainda seja possível. Mas na verdade o que estou fazendo agora é pedindo desculpa pela ausência e oferecendo uma crônica escrita em outubro de 2005, sob o título acima. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Rejeitei sempre a idéia de ter um ídolo. Imaginava que todos os ídolos têm pés de barro: na umidade, desmoronam. Foi assim desde a adolescência. Fortaleci a crença depois que assisti, no teatro Berliner Ensemble, em Berlim, a montagem da peça Galileu Galilei, de Bertold Brecht. Numa das passagens, o físico, matemático e astrônomo italiano Galileu, representado por um ator de voz forte e grave, respira fundo, olha no fundo dos olhos de um dos discípulos, e diz: “Pobre de um povo que precisa de um ídolo”. O discípulo o censurava por ter renegado, diante dos inquisidores da Igreja Católica, suas idéias de que o universo era heliocêntrico, ou seja, que o sol era o centro e tudo girava em torno dele. Galileu Galilei, acusado de heresia, livrou-se de beber cicuta, assinou um documento dizendo que tudo o que pregava era só uma hipótese, e ao voltar para casa este discípulo desesperado perguntara: “mestre e agora em quem vamos nos espelhar? Confiamos no senhor, temos certeza que o universo é heliocêntrico. O senhor é nosso ídolo e não deveria ter recuado.” Bem mas isto é uma história que faz parte da biografia de Galileu. O de que devemos tratar aqui é do meu recuo. Rejeitava ter um ídolo e agora confesso que o tenho. Trata-se de uma mocinha pobre, da periferia de Teresina, cujo exemplo lançou por terra todas as minhas convicções. Mas antes de apresenta-la quero explicar. Tudo começa em Nova Orleans, que ficou isolada do mundo no final de agosto de 2005, após a passagem do furacão Katrina. Com a cidade alagada, em quarenta e oito horas a população ficou sem água e sem comida. Cidadãos até então insuspeitos, pais de família exemplares, formaram gangues e se lançaram contra pessoas mais fracas, para tomar mantimentos e água potável. No noticiário o mundo ficou sabendo de mulheres que foram estupradas e espancadas porque se negavam entregar as migalhas de pão que escondiam para alimentar os filhos ou irmãos mais jovens. A civilização virou barbárie. Isto nos levou à reflexão de que o homem precisa de apenas 48 horas para voltar ao estado primitivo. Perder a razão e agir por instinto não é tão difícil. Depende apenas de circunstâncias. Corte rápido. Próxima cena Teresina. Estudantes de uma escola da periferia, usando planilhas e critérios elaborados pela ONU, fazem uma pesquisa e descobrem que, de todos os moradores de vilas e favelas da capital piauiense, pelo menos 32 por cento vivem abaixo da linha de pobreza. Cena seguinte: matéria da repórter Denise Freitas na TV Clube mostrando os números da pesquisa dos estudantes. Como personagem a reportagem buscou uma senhora que estava há dias ou semanas morando sob a rala sombra de um cajueiro, com três filhos. Supostamente abandonada pelo marido, que um dia saiu de casa dizendo que só voltava quando conseguisse emprego, a mulher foi despejada de um casebre e a única saída foi o cajueiro. Ali ficava perto de alguns conhecidos que a socorriam com a caridade do alimento. Tira-se daí a segunda conclusão: a violência urbana é fruto dessa diferença social. Como formar cidadãos, se 32 por cento das pessoas da periferia não têm certeza nem garantia de acesso ao mais elementar para vida digna? Mas na reportagem a principal personagem não aparece. Alegou que ia ser alvo de chacota na escola, onde já sofria toda sorte de preconceito dos colegas por não ter roupas decentes e um tênis para se enturmar com os mesmos padrões. Junto com a calça jeans surrada e o tênis rasgado, largando a sola, a menina de 15 anos mostrou em off o boletim escolar. Notas excelentes, garantia de aprovação em um ano em que perdeu o teto. E a comida de cada dia sempre foi incerteza. Tinha todas as desculpas para deixar o colégio, que fica no centro da cidade, a uma distância aproximada de nove quilômetros. Escola pública federal, CEFET, curso profissionalizante, que sabidamente tem uma grade curricular exigente. Natyelli da Silva, esta criança madura, revelo agora, é o meu ídolo. Derrotou a negou a bestialidade dos americanos de Nova Orleans, desmentiu a assertiva preconceituosa de que é a periferia pobre que produz bandidos e, mais que tudo, enfrentou as adversidades, se protegeu da investida dos jornalistas e dá exemplo de dignidade ao não desistir do futuro.

quarta-feira, março 22, 2006

DESONRAR O POBRE INOCENTA O PODER

O presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu aprovar, nesta quarta-feira, requerimento da líder do PT, Ideli Salvati, para investigar a eventual movimentação do caseiro Francenildo dos Santos Costa nas dependências do Senado. O argumento da senadora de Santa Catarina é de que o caseiro andou recebendo treinamento de senadores de oposição para detonar o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo". A PF agora pode vasculhar todas as fitas gravadas nas dependências do Senado, ver canhotos de crachás de visitantes, enfim, como já quebrou o sigilo do Francenildo arbitrariamente, vai ter que encontrar o rastro da presença do rapaz no Senado para receber o treinamento alegado pela senadora petista. Alguém duvida? O caseiro, que já teve mais de quinze minutos de fama, deve enfrentar agora o inferno astral. Se por algum motivo, em qualquer circunstância, tiver passeado pelos corredores do senado, será considerado culpado. Se tiver passado pelo frente será considerado suspeito. Deve responder a processo por falso testemunho e, quem sabe, as merrecas que recebeu do pai, na poupança da CEF, serão insuficientes para pagar a idenização devida ao ministro por tê-lo ofendido.

O ADJETIVO DO B. SÁ

Que pecado pode levar o deputado B. Sá ao juízo final? Nenhum, certamente! Não carregou dinheiros em malas, não foi flagrado com grana na cueca, não escondeu cédulas nas caixas de rum em rápidos jatinhos, não usou Banco Rural e nem secretária especializada em contar notas em apartamentos de luxuosos hoteis. Foi mais original. Com amplo direito de se expressar recorreu ao um adjetivo VOLUMOSO para fazer uma certa cobrança. Tanto pode ser dinheiro quanto outra coisa qualquer. Semente de leguminosa, por exemplo. Os pesquisadores investem muita grana para produzir um capim volumoso com que alimentar o rebanho no semi-árido. Volumoso vem de volume, que também pode ser pacote, embrulho, fardo. Coisa de pobre! Rico usa maleta, ou mala de grife. O deputado é homem culto. Daí o adjetivo volumoso poder ser tomado como substantivo masculino TOMO, que significa livro, ou fascículos de uma obra literária. Sem falar que, como médico, poderia também estar se referindo ao valor que se obtém quando se divide o peso atômico de um elemento por sua densidade, o que designina o VOLUME ATÔMICO. E ainda no campo da química poderia estar se referindo ao VOLUME MOLAR, que determina a quantidade do mol de uma substância. E que tal ser mais erudito ainda e dizer que o VOLUME MOLAR é o quociente do volume da solução pelo número de moles do solvente e do soluto contidos nesse volume? Poucos entenderiam mas fica mais fácil acreditar. Os doutores sempre levam vantagem. Na física, igualmente, quem se interessar por pacote vai encontrar o VOLUME REDUZIDO, que é o quociente do volume duma massa de gás pelo volume crítico dessa massa. E se alguém disser ou reclamar que se está falando de um VOLUME ESPECÍFICO, Eu explico: específico, na física, trata-se do volume da unidade de massa duma substância. Por exemplo, o volume do gás produzido na decomposição de um quilograma de um explosivo, reduzido às condições normais. Como se observa, o deputado B. Sá está com uma BOMBA nas mãos, mas tem muitos argumentos para se explicar. Ao se esconder, tem poucas chances, como na física, de voltar às condições normais.

terça-feira, março 21, 2006

FRANCENILDO NO BANCO DOS RÉUS

Vi, agora há pouco, na Folha on-line: "O caseiro Francenildo dos Santos Costa autorizou os integrantes da CPI dos Bingos a analisarem dados sigilosos referentes à sua movimentação bancária, às ligações de seu telefone e a seus dados fiscais." Ou seja, o rapaz deixou de ser testemunha e está sendo tratado como réu. Tem de provar que não recebeu nenhum dinheiro, nem tampouco ligações para depor contra o ministro Palocci. E é bom lembrar que ele foi impedido de ser testemunha, quando uma liminar o impediu de depor na CPI. Não duvido nadinha se, lá pelas tantas, o Francenildo coitadinho dos Santos for considerado culpado por todos os demandos do PT, da CEF, da PF, do presidente do SEBRAE e do Lulinha, filho de Lula. Como se recordam, todos são a bola da vez para os argumentos de campanha eleitoral.

segunda-feira, março 20, 2006

LENGALENGA DO MINISTRO

O ministro da Justiça, Mácio Tomaz Bastos, disse que a quebra de sigilo bancário do caseiro calo do Paloci, o piauiense de Nazária Francenildo da Costa, é grave e vai ser apurada. Lengalenga puro. Ao invés de dar declarações já devia ter apresentado o funcionário da Caixa que meteu os pés pelas mãos, ou melhor, que meteu os interesses partidários nos negócios privados do rapaz. Qualquer menininho que mexe com informática sabe que conta bancária depende de uma senha para ser acessada. Ora, na data em que foi tirado o extrato alguém fez um acesso e não foi o caseiro que estava na PF no momento. Se não foi o Francenildo com certeza foi um funcionário da CEF, que tem cartão próprio e senha de livre acesso a qualquer conta. Então, ministro, apresenta logo quem acessou a conta do rapaz. Ou conta uma história melhor que esse discurso lengalenga de que "é grave e será apurado".

sábado, março 18, 2006

UMA MÃO SUJA A OUTRA

O presidente do STJ, Edson Vidigal, aquele mesmo que recebeu os nossos aplausos pela retidão com que atuou no episódio da prisão do jornalista Arimateia Azevedo, Entortou. Concedeu uma liminar, atendendo a um mandado de segurança, que impede a realização das prévias do PMDB, neste domingo. Aliás impedia. Outra liminar já restabeleceu os direitos do PMDB de escolher, pelo método legal que quiser, um candidato à presidência da República. O presidente do STJ, com a liminar, fez um mimo ao Presidente Lula e ao Senador José José Sarney. Fez o mimo e se mandou para o Maranhão, onde é candidato a governador. É samba de crioulo doido: A maior autoridade judiciária do país, sem deixar o cargo, sem se aposentar, vira político, se declara candidato e faz campanha política fora do prazo. Não entendi nada mas tenho certeza que tem coisa errada. Como bem o disse Guimarães Rosa "a gente só sabe bem aquilo que não entende".

sexta-feira, março 17, 2006

A DIFERENÇA ENTRE OS DESIGUAIS

No Brasil, quebrar o sigilo bancário de qualquer pessoa depende de um bom argumento, com provas da necessidade, na Justiça. Dos que têm poder, então, nem pensar. Mas há sempre um jeitinho, certo? Errado. Um jeitinho há, sim, somente contra os coitados. Principalmente se alguém se atrever enfrentar um poderoso. É o que aconteceu com o coitado no rapazinho de Nazária. A revista época vai circular amanhã contando toda a infeliz história. Acompanhe na própria apuração da revista: "Extratos revelam depósitos para caseiro O caseiro Francenildo dos Santos Costa, que ganhou fama ao aparecer na CPI dos Bingos esta semana acusando o ministro Antonio Palocci de freqüentar a “casa do lobby”, montada por lobistas de Ribeirão Preto pode ser um trabalhador humilde, como foi descrito diversas vezes, mas está longe de passar por dificuldades financeiras. Época teve acesso a um conjunto de extratos de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em nome dele. A conta, de número 1048-8, fica na agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalhae mora. Segundo estes extratos, desde o início do ano, a conta recebeu depósitos de R$ 38.860,00. Todos foram registrados como “depósitos em dinheiro”. Francenildo reconheceu os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar.Os extratos indicam que, quando o ano começou, a conta em nome do caseiro tinha um saldo de R$ 24,76. No dia 6 de janeiro, é registrado um depósito de R$ 10.000,00. Três dias depois, aparece um saque com cartão eletrônico de R$ 2.500,00. Nos dias seguintes, há outros saques, de menor valor. Em 6 de fevereiro, aparece um outro depósito, desta vez de R$ 9.990,00. A conta fica parada até o dia 15 de fevereiro, quando há um saque de R$ 15.000,00, novamente com cartão eletrônico. Um dia depois, outro depósito, desta vez de R$ 10.000,00, mais uma vez em dinheiro.No dia 3 de março, há o registro de mais um depósito, de R$ 3.870,00. Finalmente, em 06 de março há outro depósito no valor de R$ 5.000,00. No dia 16 de março, quando foi tirado o extrato, o saldo da conta é de R$ 19.662,35. Neste dia, Francenildo depôs na CPI.Ao receber os extratos, a reportagem de Época entrou em contato com o advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que representa o caseiro. Ele levou um susto. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”. Quinze minutos depois, o advogado telefonou para a redação. De acordo com ele, Francenildo reconheceu os depósitos, mas disse que o dinheiro veio de seu pai. “Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse o advogado.Segundo o caseiro, o pai mandou R$ 25 mil. O saque de R$ 15 mil teria sido para comprar um carro. “Ele desistiu de comprar o veículo e depositou de novo boa parte do dinheiro, cerca de R$ 13 mil”. O empresário Euripedes Soares confirmou à Época que fez os depósitos, mas negou que seja pai do rapaz. "O sobrenome dele é muito diferente do meu para eu ser pai dele", disse. Ele afirma que só vai explicar o motivo do depósito "depois de falar com um advogado".(Gustavo Krieger e Andrei Meirelles)"

quinta-feira, março 16, 2006

TEXTO 10 X TABUADA 0

Com o título: “Lula pode derrotar Alckmin já no primeiro turno, segundo pesquisa CNI/Ibope”, a Agência de Notícias Reuters distribuiu ontem a seguinte notícia – “Um dia após o PSDB ter definido o governador Geraldo Alckmin como seu candidato à Presidência da República, uma pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou nesta terça-feira uma folgada vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. No primeiro turno, Lula tem hoje 43% das intenções de voto, enquanto o governador paulista aparece com 19%. Neste cenário, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) tem 14%, e a senadora Heloisa Helena (PSOL), 5%. Os votos brancos e nulos somam 11%, e os indecisos, 8%." Pelos dados da notícia eu faria um título dizendo que o presidente Lula ainda não consolidou a reeleição. Não sou especialista em pesquisa, mas sei o que elas dizem. A Reuters sugere que Lula ganharia no primeiro turno. Não sei como. Ele tem 43% das intenções de voto. Os demais candidatos e os eleitores indecisos somam 46%. E até onde eu sei matemática é uma ciência exata. O jornalista da Reuters que fez as contas não sabe tabuada. Ou na pior das hipóteses, para ter uma maior soma de votos invalidados, somou os 8 por cento dos indecisos aos 11 por cento que disseram que anulariam o voto ou votariam em branco. Voto indeciso não é a mesma coisa que voto branco ou nulo. A pesquisa, diferentemente do que a Reuters entendeu, me diz que o presidente Lula, se a eleição fosse hoje, não teria a menor chance. Nem em primeiro nem em segundo turno. Anote para conferir depois se esta tendência de números for mantida ao longo da campanha eleitoral.

quarta-feira, março 15, 2006

ACORDO À MODA ANTIGA

O Brasil acompanhou ontem a vitória do Exército Brasileiro sobre os traficantes do Rio de Janeiro. Dizem as notícias que a recuperação das armas roubadas, aliás tomadas de assalto de dentro de uma base militar, deveu-se ao trabalho de inteligência e investigação do Exército e da PM do Rio. A melhor manchete saiu no UOL, pela internet: "Exército nega acordo com traficantes para recuperar armas". Deve ser o assunto dos jornais de amanhã, quinta-feira. Mas é claro que não houve acordo, desse tipo moderno, com papel assinado. Qualquer brasileiro, com um mínimo de inteligência, que conhece como funionam as coisas no Rio, sabe perfeitamente que nenhum general ou oficial subordinado subiu o morro para parlamentar com chefes de traficantes. Seria o cúmulo do absurdo, uma desonra para a instituição. O acordo jamais poderia ser direto. Não da forma convencional. Ele existiu a partir do momento em que as tropas subiram os morros com carros de som anunciando que só queriam as armas. Ele existiu a partir do momento em que nas entrevistas à imprensa o oficialato brasileiro ressaltou que as tropas desocupariam os morros tão logo as armas fossem recuperadas. Assinava-se ali, com carimbo da palavra empenhada, o perdão pelo crime de invasão a uma unidade militar. Devemos acreditar que houve, sim, um trabalho de inteligência. Mas o cérebro foi usado muito mais pelos traficantes. Se o exército queria só um punhado de armas velhas, não iria prender nenhum criminoso, e estava atrapalhando os negócios nos morros, em alguns casos até confiscando trouxinhas de drogas dos mercadores mais insignificantes, por que não devolver o que os bravos soldados procuravam? E assim foi feito. E assim os generais têm discurso para atender a mídia. E assim os traficantes têm tranquilidade para retomar os negócios.