Sábado, Setembro 01, 2007

O DOPS TINHA RAZÃO

No auge da Ditadura Militar no Brasil, após 1964 e até final dos anos setenta, a piadinha que fazia sucesso entre os estudantes de esquerda dava conta de que o DOPS pagava mil cruzeiros a quem delatasse um comunista subversivo. DOPS era a toda poderosa polícia política da ditadura. Daí um esperto chegou lá e perguntou: - Quer dizer que se eu delatar trinta comunistas vou ganhar trinta mil cruzeiros? - Quem conhece trinta comunistas vai é preso, porque é do ramo. - Respondeu o agente do DOPS. É uma piadinha antiga, que saiu de moda, mas que pode servir para uma boa reflexão. Lembrem-se que o presidente Lula teve agora quarenta bons companheiros, amigos, entre os quais ex-nomeados para ministérios da República indiciados por corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, peculato e outros crimes. Será que não é do ramo?

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

UM ESTADO GIGOLÔ DAS ABELHAS

A caixa de entrada do meu correio eletrônico inundou de protestos. ofensas e poucas, raríssimas palavras de concordância ao texto anterior deste blog “O TOLO ZOTOLLO E A PAPALVICE PIAUIENSE”. Como Zotollo, reconheço que não agradei. Feri de morte a alma cívica piauiense. Atrevi-me “...a baixar a já comprometida auto-estima de nosso povo” – como acentuou o leitor Marcelo Nogueira. Entre tantos descontentes, há os que sugerem que recebi dinheiro da Phillips, que eu tenho que ir embora do Estado, que eu concordo com os que esculhambam nossa terra porque quero aparecer e que estou “acoloiado com a direita e com as elites”. Esclareço que tenho um certo prazer em pensar, em não ser o coletivo. Portanto não sou “acoloiado” com as elites, mas conluiado com a minha consciência. Admito que as elites também pensam. E quando não estão gastando dinheiro podem eventualmente dizer alguma bobagem. Assumo que não recusaria um belo cachê da Phillips. Vivo praticamente do que escrevo. Um extra não iria fazer mal algum. O interessante, em quase todos os protestos, é a alegação da auto-estima que eu tentei atingir. Já disse aqui neste blog que prefiro o exercício da cidadania à auto-estima. Sendo cidadão pode-se cobrar tudo o que é devido. Com falsa auto-estima há o risco de achar que está tudo lindo e maravilhoso. Corre-se o risco de gostar do Piauí do jeito que ele está, de concordar com mazelas porque o que vale é “amar aquilo que somos e como somos” Isto é ser contra a evolução, contra o aperfeiçoamento. Auto-estima para mim não faz parte de treinamento. Não se adquire com campanhas de marketing. Auto-estima é decorrência de conquistas individuais. Ninguém conseguirá, em tempo algum, tirar a auto-estima de vencedores. Perdedores é que lidam apenas com a confiança da próxima vez. É bem aquela velha sabedoria popular de que “rico ri à toa e pobre vive de esperança”. Não falo mal do Piauí. As minhas posições são claramente críticas ao falso civismo, à hipocrisia e de certa forma me aproveito de todo o bom humor piauiense com a própria desgraça. Sinceramente não vejo nenhuma ofensa aos piauienses achar que o Piauí não tem tanta importância assim no cenário nacional. Tanto não tem que o governador Wellington Dias, na sua resposta de desagravo ao senhor Zottolo, não encontrou tantos argumentos. Limitou-se a dizer que o Estado é um grande produtor de mel, que tem belezas naturais e potencial turístico. Foi mais óbvio que o desastrado Zottolo. Qual é o lugar desse Brasil tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, que não tem belezas naturais? E se a nossa importância econômica se sustenta no mel, cuja produção depende da exploração do trabalho árduo das abelhas, estamos irremediavelmente perdidos. Queira Deus que haja florada todo ano. E que não surja nenhum abelhão barbudo para mobilizar as abelhinhas numa greve reivindicatória por um basta à exploração. Respeito a opinião dos descontentes. E aceito todos os argumentos contra o que escrevi. Só lamento que a tenham expressado através de e-mail. Neste blog há um espaço democrático para comentários e críticas, sem nenhum controle ou censura de minha parte.

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

O TOLO ZOTTOLO E A PAPALVICE PIAUIENSE

Há tempos venho catalogando alguns fatos notáveis que reunirei em um livro, cujo título - FEBEAPI, foi pensado há mais de trinta anos. É inspirado, claro, no FEBEAPA, do genial Sérgio Porto, ou Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo usado por ele para assinar a obra. No FEBEAPA Stanislaw mostrou o Festival de Besteira que Assolou o País durante o regime militar. No FEBEAPI mostrarei o Festival de Besteira que Assola o Piauí nos tempos modernos. Faltava-me, para completar a obra, uma besteira que fosse mais besteirol entre todas as besteiradas produzidas pela nossa inocente mente provinciana. Felizmente ela veio agora, após a declaração do deselegante presidente da Philips, o senhor Paulo Zottolo, de que “...se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”. Particularmente acho que Zottolo tem capacidade para produzir frase mais elaborada. Poderia ter fugido do óbvio. E talvez tenha sido o óbvio o causador da ira dos vaidosos piauienses, das organizações ligadas a partidos políticos e dos aproveitadores de última hora. Estes, na falta do que fazer e de como justificar a inércia, passaram a repercutir a palva declaração do presidente da Philips. Alguns chegaram ao cúmulo de sugerir pedido de indenização, boicote aos produtos representados por ele e outras macaqueadas. Não conheço nenhum piauiense, os que realmente se preocupam e conhecem o potencial do Estado, que tenha se incomodado com a tentativa de ser engraçado do senhor Zottolo. Primeiro porque sabem que o Piauí é alvo natural de muitas piadinhas. Segundo porque têm consciência que isto decorre exatamente da capacidade de alguns conterrâneos produzirem fatos negativos que rapidamente caem no anedotário nacional. Antigamente os nativos tinham bom humor. A Câmara Municipal de Teresina, por exemplo, deu um título de cidadão ao compositor-humorista e cantor Juca Chaves no auge de sua carreira, quando ele produziu a mais bela página musical do cancioneiro nacional, um versinho safado que dizia: “Piauí, Piauí. Se o mundo tivesse um fiofó, o fiofó seria aqui” Ninguém se incomodou em ser o fiofó do mundo. Juca Chaves andava por Teresina distribuindo gracejos, freqüentando altas rodas e traçando algumas moçoilas da chamada “alta sociedade”. Taí o ex-vereador Dubá Leitão que não me deixa mentir. Mas voltando ao FESTIVAL DE BESTEIRAS QUE ASSOLA O PIAUÍ, a melhor tolice, repito, o fato que vai para o meu livro FEBEAPI, é a reação provinciana dos oportunistas. A Phillips, a quinta maior corporação do mundo, a maior indústria de equipamentos hospitalares e a primeira em eletroeletrônicos e utilidades domésticas, cujo investimento em programas sociais na América Latina deve somar dez vezes o PIB de nosso estado, deve estar tremendo na base com o boicote dos piauienses. Todo o episódio poderia ter se resumido na reação oficial do governador e no pedido de desculpas formal e inciso do infeliz presidente da Phillips. Mas isto seria exigir demais de um Estado que já tem uma grande história e experiência em produzir ganchos para as piadinhas de mau gosto. Mau gosto para os nativos, porque para outras tribos vai continuar sendo o fino do humor nacional.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

CRISE AÉREA OU INDECISÃO?

Em alguns dos grandes eventos nacionais ou locais sou acossado, por amigos e leitores, insistentemente desafiado, a falar sobre o assunto. Recebo e-mails e ligações lembrando que este ou aquele fato é um grande mote para um texto. Mas todos sabem que este blog não tem a ousadia de tratar de notícias factuais. Como é o caso da tragédia que envolveu São Paulo, no acidente da TAM. É difícil falar de tragédias. Normalmente quando elas acontecem, salvo raras exceções, a primeira coisa que vai para a cesta do lixo é o bom senso. E nós jornalistas temos uma ânsia despudorada de, em nome de primeiro e melhor informar, cometer erros grosseiros, ferir sem pensar pessoas que normalmente deveriam estar sendo consoladas. Claro que passadas as primeiras horas do impacto, todo mundo se concentra no que é essencial, usa mais a racionalidade. Fiz pelo menos quatro textos para postar neste blog sobre a tragédia. Mas a ousadia faltou-me. Eu expressava em todos aquilo que estamos com receio de dizer, e que pode ser a verdade mais aproximada para o lamentável acidente de Conconhas. E para os leitores que cobram-me uma opinião, copio aqui um comentário que fiz no blog do jornalista piauiense residente em Fortaleza, Nivaldo Ribeiro. http://colonline.blogspot.com/ “Nivaldo tenho certeza que a grande maioria dos brasileiros pensa como você e está da mesma forma indignada. Mas algo me diz que este acidente não teve nenhuma relação com crise aérea ou condições da pista do aeroporto. Claro que não sou nenhum especialista, mas o mínimo de conhecimento aguça meus questionamentos como jornalista:- Se o avião percorreu uma pista de 1,9km em linha reta, praticamente na mesma velocidade do pouso, não houve aquaplanagem.Ou seja, não deslisou na pista.- Também não se pode falar que o freio não funcionou porque a pista estava molhada. Freio de avião é na reversão das turbinas e não nas rodas.- É difícil admitir, porque a TAM vai defender sempre que a aeronave estava em ótimas condições, mas em acidente como este só há duas explicações: falha do equipamento ou falha do piloto. Particularmente acho que o avião estava com muito peso e a decisão do piloto em arremeter foi tomada tardiamente. Se estivesse leve levantaria vôo novamente com metade da potência. E este é o ponto chave.
A unanimidade dos instrutores de vôo repete sempre que um avião pode ser tirado do chão e colocado lá novamente com a menor facilidade por uma criança de dez anos minimamente treinada. O problema é que, como estamos lidando com grandes velocidades, o tempo em que se leva para tomar uma decisão faz a maior diferença. Lamentamos mesmo tudo o que aconteceu e a revolta impensada talvez venha em decorrência das declarações de autoridades petistas, a exemplo de dona Marta. Um grande abraço.”
Este comentário foi postado muito antes de serem liberadas as imagens do aeroporto que mostraram a aeronave acidentada passando em velocidade anormal para um procedimento de pouso, o que reforça a minha opinião.

Sábado, Julho 14, 2007

A VOZ DEMOCRÁTICA DA VAIA

Não gosto de vaias. Mas reconheço que é a manifestação mais democrática que existe entre todos os povos. Vaia é universal. Tem o poder ilimitado de suplantar, em um mesmo ambiente, todas as outras manifestações a favor. Coloque-se em um estádio de futebol setenta mil pessoas. Vinte mil vaiando e o restante aplaudindo. O que vai aparecer é o apupo. E a vaia é contagiante. Depois que pega ritmo só resta ao vaiado colocar o rabo entre as pernas e sair de fininho. Gosto muito do carioca. Mas reconheço que é um povo metido a besta, cheio de preconceitos. Paulista, por exemplo, pensa que é o dono do mundo. Carioca tem certeza absoluta. Tem uma estátua do filho de Deus e por isto acha que a humanidade começou ali. E na verdade tudo começa no Rio de Janeiro. Principalmente as grandes mudanças políticas do Brasil. O resto do país é apenas caixa de ressonância. A vaia que o presidente Lula ouviu ontem, no Maracanã, é um grande sinal de alguma mudança. O Maracanã é democrático. Por mais que se queira atribuir esta manifestação a grupos organizados, como manda a lógica do PT, ninguém vai engolir. O presidente Lula anda em todos os estados brasileiros. Nas aparições públicas, no contato com o povo, há sempre o cuidado de separar os que aplaudem dos que vaiam. Quem tem faixas rendendo loas vai para perto do palanque. Quem vai ver o presidente para cobrar é separado por um grande cordão de isolamento. Fica tão distante que não tem chance nem de jogar um ovo podre. A estratégia de segurança sempre deu certo, porque o cerimonial é dono da arena. Monta palanque e faz triagem dos que gostam o dos que não gostam do presidente. No Maracanã a arena é do povo. Além da vaia o presidente Lula foi tratado como um Zé Ninguém. Sentiu o gosto amargo da insatisfação popular, escondida nos números frios de pesquisas interpretadas de acordo com vaidade de sua excelência. O presidente foi vaiado todas as vezes em que apareceu no telão ou que se anunciava seu nome. O protocolo foi pras cucuias. Ele não pôde fazer o pronunciamento de abertura dos Jogos Pan-Americanos. O povo não deixou. Foi substituído no papel por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Mas também houve precipitação dos protetores do presidente. Queriam evitar maior constrangimento e o que fizeram, tirando-o de suas obrigações, foi criar um fato histórico. Eu explico: desde o primeiro Pan de 1951, em Buenos Aires, os chefes de Estado são os responsáveis pelo anúncio oficial de abertura. Começou com o argentino Juan Domingo Perón, passando pelo cubano Fidel Castro em Havana (1991), e o norte-americano George Bush em Indianápolis em 1987.
Lula se borrou todo. Saiu do Maracanã cabisbaixo, no mesmo carro, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Que muito pelo contrário estava sorridente e acenando para os eleitores. Mas o presidente tem muita sorte, mesmo sendo vítima de um acachapante chega pra lá. A festa foi tão bonita, tão cheia de nove-horas, tão cheia de novidades, que uma vainha de setenta mil pessoas, para a grande maioria da imprensa, não representou nada. O futuro está perto e o carioca, via de regra, tem razão.

Terça-feira, Julho 03, 2007

FOFOCA É QUALIDADE DE VIDA

Não discuto com ninguém a seriedade com que lido com a minha profissão de jornalista. Não admito contestação de que sou sério, compromissado com a busca da verdade e dedicado a bem informar. Os meus defeitos são pouco aparentes. O maior deles é detestar fofocas. A despeito de, por amor à minha profissão, ler revistas como Caras, People, National Enquirer e outras que fazem da vida alheia a bolo editorial de cada edição. E igualmente em defesa de ficar bem informado também vejo programas de fofoca na TV. Até ontem eu negava ou escondia este meu lado, digamos assim, voyeur de ser. Eu disse até ontem. Hoje continuo detestando fofoca, principalmente se envolve amigos meus, mas encontrei uma base científica sólida para esta necessidade de querer se informar. Dei de cara com uma publicação espetacular, do inglês Robin Dunbar, que garante, entre outras coisas, que a evolução da espécie depende fundamentalmente da fofoca. Tudo bem, talvez nem seja bem isto que o Dunbar quis dizer, mas que o ensaio dele é uma delícia para explicar o voyeurismo, lá isto, é com certeza. O Título em inglês: "Grooming, Gossip and the Evolution of Language". De cara você vê logo que tem realmente alguma coisa com evolução. Como o meu inglês não passa de alguns vocábulos e técnicas instrumentais, traduzi secamente: para “Asseio corporal, fofoca e a evolução da fala”. Mas corri atrás da obra em outras línguas, apostando que a encontraria em português. Não a encontrei. Mas viva a santa internet. Há um longo artigo em alemão, discutindo as afirmações do professor Dunbar. Ele contesta de certa forma os estudos de antropólogos e lingüistas que creditam a invenção e a evolução da fala à necessidade do homem em desenvolver a caça de maneira mais eficiente. Dunbar garante que os nossos ancestrais desenvolveram a fala simplesmente para fofocar, para se divertir. E tudo começou na necessidade do asseio. Os grupos se reuniam para catar piolho uns nos outros e a tarefa era um tanto monótona. Vai um grunido daqui, outro dali, que foi logo se traduzindo em comando ou comentário. Daí para o tête-à-tête foi um pulo. E o fuxico e o mexerico garantiram alegria e qualidade de vida aos símios nossos tetratataravós. Bem mas isto é uma conclusão minha, para encurtar a conversa longa e professoral da discussão sobre as descobertas do Robin Dunbar. Não sei por que na escola a gente não aprende logo a coisa assim direta, sem muita tese e antítese. Vai-se atrás de tanto conhecimento, em um monte de livros, e joga-se fora o mais natural do dia-a-dia, que é o tempo para fofocar. Agora mesmo os cientistas do mundo todo estão gastando neurônios para provar que a terra está em perigo, por causa do aquecimento global. Talvez seja tempo ainda do homem voltar aos tempos do asseio solidário, piolho a piolho, ti-ti-ti a conversa fora, para se divertir. Falar do rabo do outro, desacelerar a ganância, porque fofoca é qualidade de vida. Virgílio, com a sua “Eneida”, e “Otelo”, de Shakespeare já tinham feito o alerta.

Terça-feira, Maio 29, 2007

RENAN CALHEIROS É UM HERÓI

Renan Calheiros é o herói nacional. Garanhão, adúltero, generoso e displicente. Não precisa de mais qualidades para ter a admiração de um país machista. Surpreendido pela revelação de seus feitos heróicos, Renan calou o Senado. Juntou alguns papeis e, ao invés de ir para a tribuna, se aboletou na cadeira da presidência. De lá se fez de ofendido. E defendeu-se dos vilipêndios lançados pela Veja. Transformou a publicação na mais nova revista de fofocas do país. Nenhum senador o interrompeu. Também pudera!
Regimentalmente, como presidente do Senado, e ao falar nesta condição, ninguém pode se manifestar contra ou a favor. Pode até cochilar ou se retirar do plenário. Mas interromper a fala, de jeito nenhum. Renan confessou. Fornicou mesmo com a jornalista. Teve uma filha com ela. Mas não a abandonou. Assumiu a paternidade. Um ano e meio depois, claro, porque precisava saber se a menina se parecia com ele. E para garantir o futuro da criança, preservando a vida pessoal, fez o que fez. Utilizou-se de um amigo de vinte anos para repassar as obrigações pecuniárias. Generosas, aliás. A filha não deveria passar necessidades. A mãe não poderia chorar a separação. Dinheiro dá conforto e resignação, sabiam? A defesa de Renan convenceu. O país deixou de discutir a bandalheira pouco republicana para centrar fogo na ética jornalística, que não podia ser quebrada para entrar na vida privada de um homem público. Como nunca liguei para manual de ética, porque já nasci com o genes da ética e o reforcei durante toda a minha vida, quero, sim, continuar na discussão. Tenho a convicção que Renan Calheiros é homem público. E o que ele fez confessadamente, entre quatro paredes, com a jornalista, no privado, não vai fazer comigo publicamente sem beijar na boca. Quero, sim, saber de onde saiu o dinheiro, por que um alto executivo de uma empreiteira estava sendo usado como garoto de recado e porque o presidente do Senado, tão generoso, não se preocupava em ter recibo para evitar futuras cobranças. Sim porque a jornalista poderia alegar que nunca recebeu nada do pai da criança e pedir uma indenização polpuda. Como Renan iria provar que pagou o acerto? Quero saber também se como cidadão Renan declarava no Imposto de Renda a mais nova herdeira e a sua mãe como dependentes. Se declarou neste ano, a título de pensão alimentícia, os valores que mandou o amigo entregar para a ex-concubina. E definitivamente quero deixar claro que minha preocupação é com o relacionamento pouco ortodoxo do presidente do Senado com empreiteiras. A sua relação fora do casamento pouco me interessa. Diz respeito apenas à tolerância de sua família. Se bem que cair na farra sem usar camisinha é uma falta de compromisso com a saúde pública da nação.